Mário Semedo ou Álvaro Eliseu Cardoso? Quem será o próximo presidente da Federação de Football de Cabo Verde?

“Um olhar profundo sobre os dois candidatos que disputam o comando da FCF: a experiência consolidada de Semedo frente à visão reformista de Cardoso”

O destino do futebol em Cabo Verde será traçado nas urnas já este sábado, 10 de janeiro de 2026. A Assembleia Geral Eleitoral da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) reúne-se para decidir quem comandará a instituição no próximo quadriénio. De um lado, temos a experiência e a continuidade de Mário Semedo, o homem que personifica a longevidade no poder federativo. Do outro, Álvaro Eliseu Cardoso, que promete uma nova dinâmica e uma gestão adaptada aos novos desafios do desporto-rei no arquipélago.

​Recordamos que:

  • ​A FCF foi fundada em 1982 e, desde então, tem trabalhado para colocar o país no mapa do futebol mundial.
  • ​Mário Semedo é o presidente com mais tempo de serviço, tendo liderado a instituição em diferentes mandatos que totalizam mais de duas décadas. Sob o seu comando, Cabo Verde subiu centenas de posições no ranking FIFA.
  • ​Álvaro Eliseu Cardoso não é um estranho ao sistema; como presidente do Conselho Nacional de Arbitragem, conhece os bastidores e as fragilidades das competições internas, o que fundamenta a sua plataforma de mudança.

​A Cidade da Praia será o palco de um dos atos eleitorais mais consequentes para o desporto nacional. A escolha entre Mário Semedo e Álvaro Eliseu Cardoso não é apenas uma escolha entre dois nomes, mas entre dois caminhos distintos para a gestão do futebol em Cabo Verde. Com o país a vibrar com o sucesso dos “Tubarões Azuis”, a pergunta que ecoa em todas as ilhas e na diáspora é: quem tem a visão certa para o próximo ciclo?

Mário Semedo: O arquiteto da estabilidade

​Mário Semedo apresenta-se com o trunfo da experiência. A sua candidatura, intitulada “Continuidade e Consolidação”, baseia-se na premissa de que o futebol cabo-verdiano atingiu um patamar de maturidade que não permite aventuras ou interrupções abruptas.

​Pontos Fortes e Propostas:

  1. ​Sucesso desportivo: Semedo recorda constantemente que, sob a sua liderança, Cabo Verde tornou-se um “tomba-gigantes” em África, garantindo presenças consistentes no CAN e a histórica caminhada para o Mundial.
  2. ​Infraestruturas e FIFA: O candidato tem uma relação sólida com a FIFA e a CAF. O seu programa foca-se na conclusão de centros de estágio e na melhoria dos relvados sintéticos em todas as ilhas, utilizando os fundos do programa FIFA Forward.
  3. ​Futebol feminino: Um dos pilares da sua nova proposta é a profissionalização gradual do futebol feminino, aproveitando o recente crescimento da modalidade no arquipélago.

​Para os seus apoiantes, Semedo é o garante de que os compromissos internacionais e a estrutura técnica da seleção nacional — liderada por Bubista — permanecerão intocáveis e protegidos de turbulências políticas.

Álvaro Eliseu Cardoso: O rosto da reforma Interna

​Do outro lado, surge Álvaro Eliseu Cardoso com o lema “Renovação e Transparência”. A sua candidatura nasceu de um sentimento de que, embora a “montra” (a seleção nacional) esteja bem, o “armazém” (o futebol interno e as associações regionais) precisa de uma reforma profunda.

​Pontos Fortes e Propostas:

  1. ​Foco nas regiões: Cardoso defende que a FCF tem estado demasiado centrada na Praia e na seleção principal. A sua proposta principal é o aumento direto das verbas destinadas às 11 associações regionais, permitindo que os campeonatos locais tenham mais qualidade e sustentabilidade.
  2. ​Transparência e governação: O candidato propõe uma auditoria completa às contas da federação e uma gestão mais aberta, onde as decisões não sejam centralizadas apenas na figura do presidente.
  3. ​Arbitragem e formação: Vindo do setor da arbitragem, Cardoso coloca a formação de árbitros, treinadores e dirigentes como prioridade zero, acreditando que o talento cabo-verdiano só chegará mais longe se a base for tecnicamente mais evoluída.

​Cardoso tem atraído aqueles que sentem que o ciclo de Mário Semedo, apesar de vitorioso, está desgastado e que a FCF precisa de novos métodos de gestão e de uma liderança mais próxima da realidade dos clubes que sobrevivem com imensas dificuldades financeiras.

​O embate final

​O grande desafio para os delegados que irão votar é equilibrar o sucesso externo com as carências internas. Enquanto Semedo oferece a segurança de quem já conhece os corredores do poder mundial, Cardoso oferece a esperança de quem quer reorganizar a casa a partir de dentro.

​Independentemente do resultado, o vencedor terá de lidar com a enorme expectativa de um povo que vê no futebol a sua maior manifestação de orgulho nacional. O próximo presidente não terá apenas de gerir orçamentos; terá de manter vivo o sonho de milhões de cabo-verdianos espalhados pelo mundo.

Cape Verde 24.info 

Fonte:Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF)

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