O paradoxo laboral: Economia de Cabo Verde cresce, mas falta mão de obra qualificada

“FMI alerta para o “desencontro” entre as competências disponíveis nos jovens e as necessidades reais das empresas nacionais”

 

A economia de Cabo Verde atravessa um momento de crescimento robusto, mas enfrenta um obstáculo estrutural: o desajuste entre a oferta e a procura de trabalho. Durante a apresentação de um novo estudo na cidade da Praia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) expôs as contradições de um mercado que cria emprego, mas deixa milhares de jovens de fora por falta de qualificações específicas.

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Dados pregressos

  • Crescimento do PIB: A economia cresceu 4,8% em 2023 e 7,2% em 2024.
  • Descida do desemprego: A taxa caiu para metade, passando de 15% em 2016 para 7,5% em 2024.
  • Grupo crítico: Cerca de 41 mil jovens (um quarto da faixa etária 15-35 anos) não estudam, não trabalham e não estão em formação (grupo NEET).

Crescimento vs. escassez de talento

​Os números macroeconómicos apresentados por Rodrigo Garcia-Verdú, representante do FMI em Cabo Verde, desenham um cenário aparentemente positivo: o desemprego está em mínimos históricos e a taxa de emprego aumentou. Contudo, estes dados coexistem com uma realidade preocupante reportada pelos empregadores: a dificuldade crónica em preencher vagas.

​Setores vitais para a economia nacional, como a construção civil e a agricultura, relatam uma falta significativa de mão de obra. O FMI classifica este fenómeno como um problema de “matching” (correspondência). As empresas procuram perfis técnicos e especializados que o mercado atual não está a fornecer em número suficiente.

O desafio da qualificação e os “Nem-Nem”

​O paradoxo acentua-se quando se olha para o contingente de jovens “Nem-Nem” (que nem trabalham, nem estudam). Segundo o FMI, a persistência deste grupo numeroso deve-se, em grande parte, à falta de competências relevantes.

​”É preciso fazer um diagnóstico do que está a impedir estes jovens de incorporar o mercado”, alertou Garcia-Verdú, sugerindo um reforço no ensino técnico e profissional. Anna Massingue, do Banco Mundial, reforçou esta visão, defendendo o ajuste urgente dos currículos escolares à realidade económica do país para estancar este desperdício de capital humano.

Informalidade e sustentabilidade

​O estudo sublinha ainda que quase metade do emprego em Cabo Verde permanece informal. Esta realidade cria um ciclo vicioso: trabalhadores sem proteção social e com baixos níveis de produtividade, e um Estado que perde contribuições essenciais para a segurança social.

​O Vice-Primeiro-Ministro, Olavo Correia, reconheceu a gravidade da situação, definindo a criação de emprego qualificado como a “prova de fogo” para a próxima década, sob pena de comprometer o desenvolvimento sustentável do arquipélago.

Cape Verde 24.info 

Fonte: Relatório e declarações do FMI (Rodrigo Garcia-Verdú) e Banco Mundial

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