“A indisponibilidade de aeronaves e atrasos sistemáticos na rede doméstica geram forte indignação entre os utentes da companhia nacional”
O fim de semana de 24 e 25 de janeiro de 2026 foi marcado por uma grave instabilidade operacional na Cabo Verde Airlines (TACV). O que deveria ser uma operação de rotina transformou-se num cenário de incerteza para centenas de passageiros, que foram confrontados com cancelamentos de última hora e atrasos que ultrapassaram as duas horas e meia, evidenciando a fragilidade atual da conectividade interilhas.
Análise operacional: O retrato de uma frota limitada
A análise dos dados de voo revela as causas diretas do mau serviço prestado. A disparidade entre a frota própria da companhia e o suporte externo contratado é evidente, conforme demonstra a tabela abaixo:
A inoperatividade da frota e o silêncio inaceitável da AAC
A raiz do problema reside na imobilização do ATR 72-600, de matrícula D4-CCN, que não levanta voo desde o passado dia 21 de janeiro. A retirada deste aparelho de serviço, sem uma substituição imediata e eficaz, sobrecarregou o restante sistema e deixou os passageiros em terra.
Perante este cenário de degradação do serviço e graves consequências para a mobilidade nacional, é urgente uma tomada de posição por parte da Agência de Aviação Civil (AAC). Após um prolongado período de silêncio mediático, espera-se que o regulador tome providências severas e transparentes para auditar as causas desta paralisia operacional. É dever da AAC zelar pela fiabilidade do transporte aéreo e garantir que a transportadora nacional não continue a falhar nos seus compromissos básicos com os cidadãos cabo-verdianos.
O calvário dos atrasos no aparelho D4-CCM
Para os passageiros cujos voos não foram cancelados, a experiência foi de enorme desgaste. O único aparelho da CVsky em operação contínua, o D4-CCM, entrou num ciclo de atrasos acumulados que penalizou gravemente quem esperava nos aeroportos. Um exemplo claro foi o voo VR4201, de São Vicente para a Praia, que deveria ter partido às 12:50 e apenas descolou às 15:29. Esta desorganização horária, recorrente ao longo de todo o domingo, reflete uma incapacidade de resposta que não pode ser normalizada, afetando inclusive as ligações para o Sal e São Filipe.
Instruções aos passageiros: saiba como exigir os seus direitos
Os utentes prejudicados por esta crise operacional devem formalizar as suas reclamações para salvaguardar os seus direitos legais perante a companhia:
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Direito à assistência: A partir das duas horas de atraso, a TACV tem a obrigação legal de fornecer gratuitamente alimentação, bebidas e meios de comunicação.
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Alojamento e transporte: Se o atraso implicar pernoita, a companhia deve garantir hotel e o respetivo transporte de ida e volta ao aeroporto.
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Reembolso ou reencaminhamento: No caso de cancelamento, o passageiro tem direito a escolher entre o reembolso total do bilhete ou o reencaminhamento no voo seguinte disponível.
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Queixa formal: É fundamental preencher o Livro de Reclamações no balcão do aeroporto e enviar uma denúncia oficial à AAC, anexando cópias dos bilhetes e comprovativos de eventuais prejuízos causados.
Conclusão e contexto
Esta crise não foi um evento isolado nem imprevisível. Va recordado que a instabilidade na frota da TACV já era visível nos dias 20 e 21 de janeiro, com atrasos sistemáticos que denunciavam a fadiga do sistema e a iminência do colapso que se verificou este fim de semana. A coesão de um país arquipelágico como Cabo Verde depende umbilicalmente da fiabilidade dos seus voos domésticos. A persistência de falhas técnicas e a ausência de um plano de contingência robusto exigem uma intervenção direta das autoridades, sob pena de se continuar a comprometer a mobilidade e a economia do país.
Cape Verde 24.info
Fonte : Dados de monitorização em tempo real Flightradar24 e registos operacionais aeroportuários (25/01/2026)



































