“Enquanto países como Nigéria, Senegal e Burundi ultrapassam os 45% de recusas, Cabo Verde regista 21,4%, um dos valores mais favoráveis do continente”
Um dado que passa despercebido
Entre os números divulgados pela Comissão Europeia sobre pedidos de visto Schengen em 2025, há um dado que interessa diretamente a Cabo Verde: o país regista uma taxa de recusa de 21,4%, claramente abaixo da média de vários países africanos e a uma distância considerável de nações como a Nigéria, o Senegal ou o Burundi, onde mais de metade dos pedidos são rejeitados.
O valor ainda fica acima da média global, de 14,6%, mas coloca Cabo Verde numa posição relativamente confortável face à generalidade dos países do continente.
Onde Cabo Verde se situa na tabela africana
Os dados foram divulgados no contexto de uma reportagem mais ampla sobre a pressão que a União Europeia está a exercer sobre cinco países caribenhos para acabarem com os seus programas de “cidadania por investimento”.
Mas o retrato traçado sobre as recusas de visto por país acaba por funcionar como um indicador interessante da relação de cada nação africana com o espaço Schengen.
Porque é que a taxa de recusa importa
Uma taxa de recusa elevada não é apenas um incómodo burocrático: segundo dados citados pela Business Insider Africa, os requerentes africanos perderam cerca de 60 milhões de euros em taxas não reembolsáveis só em 2024, referentes a pedidos de visto Schengen recusados.
É precisamente essa dificuldade que tem empurrado cidadãos de países com taxas de recusa muito altas para alternativas como os passaportes caribenhos, que chegam a custar 235 mil dólares mas garantem viagens sem visto para a Europa. Um especialista em migração por investimento citado na reportagem resume a lógica destes compradores: para muitos africanos, o valor do passaporte caribenho está quase inteiramente ligado ao acesso que oferece à Europa.
O que explica a posição de Cabo Verde
A comparação ajuda a ilustrar o efeito prático de quase duas décadas de Parceria Especial e Parceria para a Mobilidade entre Cabo Verde e a União Europeia, que já facilitam a emissão de vistos de curta duração para cidadãos cabo-verdianos e mantêm em curso negociações para uma eventual isenção total.
É esse tipo de relação — baseada em confiança mútua e segurança documental, e não em transações financeiras — que a Comissão Europeia diz querer como modelo, em contraste direto com os esquemas de cidadania por investimento agora sob escrutínio nas Caraíbas.
Nota editorial
Os valores citados referem-se a dados de 2025 divulgados pela Comissão Europeia e podem não refletir a situação atual em 2026. Uma taxa de recusa comparativamente mais baixa não significa ausência de dificuldades reais para os cabo-verdianos que pedem visto Schengen.
A União Europeia deu recentemente um prazo até 2028 a cinco países caribenhos para acabarem com a venda de passaportes por investimento, sob pena de perderem o acesso sem visto ao espaço Schengen — um esquema muito procurado por cidadãos de países africanos com taxas de recusa elevadas.
Caboverde24.info
Fonte: Comissão Europeia; Business Insider Africa





























