“Governo pretende reforçar a formação técnica e profissional para responder às necessidades de mão de obra qualificada no país”
Em 30 segundos
- 🎓 Entre 30 mil e 32 mil alunos frequentam atualmente o ensino secundário em Cabo Verde.
- 🛠️ Apenas cerca de 1.400 seguem a via técnica.
- 🔄 O Governo pretende inverter progressivamente esta realidade e aumentar significativamente o peso do ensino técnico e profissional.
- 🏫 A mudança exigirá investimento em escolas técnicas e equipamentos.
- 👷 O objetivo é aumentar a qualificação profissional e responder melhor às necessidades de mão de obra do país.
Cabo Verde quer alterar significativamente a relação entre o ensino secundário geral e a formação técnica e profissional. O ponto de partida revela uma diferença expressiva: enquanto entre 30 mil e 32 mil alunos frequentam atualmente o ensino secundário, apenas cerca de 1.400 seguem a via técnica.
Os números foram apresentados esta terça-feira, 25 de agosto, pelo ministro da Educação, Formação Profissional, Ensino Superior, Ciência e Inovação, Arnaldo Brito, a propósito do primeiro Conselho Alargado do Ministério, realizado na cidade da Praia.
Segundo o governante, esta realidade precisa de ser invertida se Cabo Verde quiser reforçar a qualificação técnica e profissional da população e responder às necessidades de mão de obra do país.
Mais alunos na formação técnica
A intenção anunciada não passa apenas por aumentar pontualmente o número de estudantes. A médio e longo prazo, o Governo pretende que o ensino técnico ou profissional possa chegar a ter mais alunos do que o ensino secundário geral.
Arnaldo Brito apontou como referência países onde cerca de 70% dos estudantes do secundário frequentam percursos técnicos ou profissionais.
A transformação exigirá, contudo, investimento. O ministro reconheceu a necessidade de criar escolas técnicas e adquirir os equipamentos necessários para este tipo de formação.
Aproximar a formação das necessidades do país
O objetivo é reforçar a qualificação profissional e criar uma maior articulação entre o sistema educativo e as necessidades de mão de obra de Cabo Verde.
Uma maior oferta de percursos técnicos e profissionais poderá proporcionar aos jovens alternativas ao percurso académico tradicional e, simultaneamente, aumentar o número de pessoas com qualificações específicas disponíveis no mercado de trabalho.
O desafio não estará apenas em aumentar o número de vagas. A expansão terá também de ser acompanhada por infraestruturas, equipamentos e condições adequadas para garantir uma formação técnica efetiva.
Educação, formação e ensino superior numa visão integrada
O assunto está a ser discutido no primeiro Conselho Alargado do Ministério da Educação, Formação Profissional, Ensino Superior, Ciência e Inovação, que decorre até quarta-feira.
O encontro reúne responsáveis das diferentes áreas do setor e aborda, entre outros temas, a preparação do novo ano letivo e as orientações da política educativa.
Arnaldo Brito defendeu uma visão integrada entre educação, formação profissional, ensino superior, ciência e inovação, considerando que estas áreas fazem parte do mesmo sistema e devem estar articuladas para responder às necessidades do país.
Um pacto nacional para a Educação
Na abertura do encontro, o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, defendeu também a construção de uma visão de longo prazo para o setor e a criação de um Pacto Nacional para a Educação.
A proposta é estabelecer uma orientação séria, participada e tecnicamente fundamentada que permita maior estabilidade e continuidade das políticas educativas, evitando que sejam alteradas a cada mudança de Governo ou de ministro.
Francisco Carvalho defendeu ainda a escola como instrumento de mobilidade social, reiterando o fim das propinas no ensino superior público e a atribuição de bolsas aos estudantes que optem pelo ensino privado.
O mesmo princípio de apoio deverá abranger a formação profissional, com o objetivo declarado de evitar que jovens deixem de estudar ou de se qualificar por falta de condições financeiras.
A aposta no ensino técnico surge, assim, como uma das componentes de uma discussão mais ampla sobre o futuro da educação em Cabo Verde: aumentar a qualificação dos jovens e aproximar a formação das necessidades de desenvolvimento do país.
Caboverde24.info
Fonte: Lusa; Governo de Cabo Verde.































