Cabo Verde tem uma das menores mortalidades infantis de África, mas nascem cada vez menos crianças

Em 30 segundos

  • ​👶 A mortalidade infantil caiu de cerca de 112 por mil em 1960 para 10,6 por mil em 2024.
  • ​🌍 Cabo Verde apresenta atualmente uma das menores taxas de mortalidade infantil de África.
  • ​💉 Vacinação, acompanhamento das grávidas, planeamento familiar e melhoria dos cuidados de saúde contribuíram para esta evolução.
  • ​📉 Ao mesmo tempo, a fecundidade caiu para cerca de 1,5 filhos por mulher, muito abaixo dos níveis registados há algumas décadas.
  • ​👵 O país enfrenta agora outro desafio: adaptar-se a uma população com menos nascimentos e tendência de envelhecimento.

Cabo Verde conseguiu em poucas décadas uma transformação profunda na sobrevivência das crianças. Se em 1960 morriam cerca de 112 crianças com menos de um ano por cada mil nascimentos, em 2024 esse indicador tinha descido para 10,6 por mil.

​A evolução é destacada numa reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde, que apresenta Cabo Verde como uma referência africana em matéria de saúde materna e infantil. Os dados internacionais colocam atualmente o arquipélago entre os países africanos com menor mortalidade infantil.

De 112 para 10,6

​A dimensão da mudança torna-se ainda mais clara quando se observa a evolução ao longo do tempo.

​Depois da independência, Cabo Verde foi progressivamente reforçando os programas de proteção materno-infantil, as consultas durante a gravidez, o planeamento familiar, a vacinação e a rede de cuidados de saúde.

​O resultado não depende, portanto, de uma única medida, mas de várias décadas de políticas de saúde e de maior acesso da população aos serviços básicos.

​A reportagem francesa chama também a atenção para o trabalho realizado no terreno por organizações como a Verdefam, nomeadamente no planeamento familiar, acompanhamento das mulheres e prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Vacinação acima de 90%

​A vacinação é outro dos indicadores da evolução registada.

​Cabo Verde mantém há cerca de duas décadas uma cobertura vacinal superior a 90%. Em novembro de 2025, a Organização Mundial da Saúde certificou Cabo Verde, Maurícia e Seychelles como países que eliminaram o sarampo e a rubéola.

​É um resultado particularmente significativo num continente onde vários países continuam a enfrentar dificuldades na cobertura vacinal e no acesso regular aos cuidados de saúde.

Mas há cada vez menos crianças

​O progresso sanitário trouxe, entretanto, Cabo Verde perante uma realidade muito diferente daquela existente há algumas décadas.

​Em 1960, uma mulher cabo-verdiana tinha em média cerca de 6,9 filhos. Em 2024, a taxa de fecundidade situava-se em aproximadamente 1,5 filhos por mulher, segundo dados do Banco Mundial.

​Isto significa que Cabo Verde está hoje abaixo dos cerca de 2,1 filhos por mulher geralmente considerados necessários para assegurar a substituição das gerações, quando não se considera o efeito das migrações.

​A queda da fecundidade não significa necessariamente que a população comece imediatamente a diminuir. A evolução demográfica depende também da esperança de vida, da estrutura etária e, no caso de Cabo Verde, de um fator particularmente importante: a emigração e a imigração.

Um novo desafio para Cabo Verde

​Durante décadas, uma das prioridades do país foi reduzir a mortalidade materna e infantil e garantir melhores condições de saúde às novas gerações.

​Grande parte desse caminho foi percorrida com resultados que são hoje reconhecidos internacionalmente.

​Agora surge uma questão diferente: como organizar a economia, a proteção social, a saúde e o mercado de trabalho num país onde nascem menos crianças e a população tende progressivamente a envelhecer?

​É, de certa forma, o outro lado de uma transformação bem-sucedida. Cabo Verde conseguiu reduzir drasticamente a mortalidade infantil. O desafio das próximas décadas será gerir as consequências de uma sociedade em que muito mais crianças chegam à idade adulta, mas onde nascem cada vez menos.

Caboverde24.info

Fontes: Le Monde, Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde.

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