4 em cada 10 cancros podiam ser evitados: o que isto significa para Cabo Verde

“Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde revela que milhões de casos de cancro em todo o mundo têm causas preveníveis — e Cabo Verde não é exceção”

Uma em cada três famílias cabo-verdianas já foi tocada pelo cancro. A doença mata em média uma pessoa por dia no arquipélago e é um dos principais motivos de evacuação de doentes para Portugal. Mas uma conclusão recente da Organização Mundial da Saúde traz uma mensagem que muda tudo: muito disto podia ter sido evitado.

O que diz o relatório da OMS

Em fevereiro de 2026, véspera do Dia Mundial do Cancro, a OMS publicou um estudo que analisou 30 causas preveníveis de cancro — do tabaco ao álcool, da obesidade às infeções virais, da poluição do ar à radiação ultravioleta.
Em 2022, aproximadamente 7,1 milhões dos 18,7 milhões de novos cancros diagnosticados em adultos no mundo foram atribuíveis a fatores de risco evitáveis — representando cerca de 37,8% do total, uma proporção considerada “muito substancial” pelos investigadores.
Traduzindo: 4 em cada 10 cancros não precisavam de ter acontecido.

Os culpados principais

O tabagismo é responsável por cerca de 23% de todos os novos casos de cancro nos homens. Nas mulheres, as infeções lideram com 11% de todos os novos casos — seguidas pelo tabagismo com 6% e pelo excesso de peso corporal com 3%.

O que isto significa especificamente para Cabo Verde

A ligação entre estes dados globais e a realidade cabo-verdiana é direta — e preocupante.
O cancro do colo do útero, causado quase exclusivamente pelo vírus HPV — uma infeção evitável através da vacinação —, é a primeira causa de morte por cancro nas mulheres cabo-verdianas. O cancro da mama e o da próstata completam o quadro dos tipos mais frequentes no arquipélago.
Em África subsaariana, até 38% dos cancros nas mulheres poderiam ser prevenidos através de medidas como o controlo do tabaco, a regulação do álcool, a vacinação contra infeções causadoras de cancro — nomeadamente o HPV e a hepatite B —, a melhoria da qualidade do ar e a promoção de ambientes mais saudáveis para a alimentação e a atividade física.
Em Cabo Verde, a vacinação contra o HPV já existe no Programa Nacional de Vacinação, mas a cobertura e a consciencialização pública continuam a ser desafios reais.

Prevenir é possível — e está ao alcance de todos

A OMS é clara: estes números não são fatalidade. São um convite à ação.
Não fumar. O tabaco continua a ser o maior fator de risco individual para o cancro em todo o mundo. Em Cabo Verde, o consumo de tabaco entre os jovens é uma tendência que preocupa os profissionais de saúde.
Reduzir o consumo de álcool. O álcool está associado a vários tipos de cancro, incluindo o da boca, garganta, esófago, fígado e mama. O seu consumo elevado em contextos sociais é um fator de risco real no arquipélago.
Vacinar contra o HPV. A vacina está disponível em Cabo Verde e é a forma mais eficaz de prevenir o cancro do colo do útero. Raparigas e rapazes devem ser vacinados antes do início da vida sexual.
Vacinar contra a Hepatite B. O vírus da hepatite B está associado ao cancro do fígado. A vacina está incluída no calendário nacional.
Manter um peso saudável. O excesso de peso aumenta o risco de vários tipos de cancro. Com o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados em Cabo Verde, este fator ganha cada vez mais relevância.
Fazer rastreio regular. A mamografia e o teste de Papanicolau continuam a ser os instrumentos mais eficazes de deteção precoce disponíveis em Cabo Verde. Não adiar estas consultas pode fazer toda a diferença.

Um sinal de esperança

A ciência avança. Investigadores apresentaram recentemente, na maior conferência mundial de oncologia, novos dados sobre um teste de deteção precoce de múltiplos cancros em simultâneo, que identificou nove tipos de cancro — incluindo vários sem rastreio de rotina — demonstrando que todos os doentes tratados em fase inicial permaneceram vivos e sem cancro após quatro anos de acompanhamento.
O futuro da luta contra o cancro passa pela deteção precoce e pela prevenção. E neste caminho, cada escolha individual conta.
Recordamos que o cancro representa em Cabo Verde uma média de 360 óbitos anuais, sendo a principal causa de evacuação de doentes para Portugal no âmbito do protocolo de cooperação bilateral. Nos últimos anos, o país reduziu em 30% as evacuações por doenças oncológicas, graças à criação do serviço de quimioterapia e à introdução do tratamento hormonal para o cancro da mama no Hospital Agostinho Neto.

Caboverde24.info
Fonte: Organização Mundial da Saúde / ecancer / AACR Annual Meeting 2026 / Ministério da Saúde de Cabo Verde

Imagem IA

NOTA: As informações contidas neste artigo têm fins informativos e de sensibilização pública. Não substituem o aconselhamento médico profissional. Para qualquer dúvida ou preocupação relacionada com a sua saúde, consulte o seu médico de família ou um especialista.

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