“A Direção da Televisão de Cabo Verde reconhece que a cobertura da tragédia do Fogo poderia ter sido melhor, mas contesta que a responsabilidade lhe seja atribuída isoladamente. Em comunicado, aponta limitações técnicas, humanas e financeiras e questiona as condições disponibilizadas pelo Conselho de Administração.”
Em 30 segundos
📺 A Direção da Televisão de Cabo Verde reconhece que a resposta à tragédia do Fogo “poderia ser melhor”.
⚙️ A estrutura dirigente sustenta, porém, que a cobertura foi condicionada por limitações técnicas, humanas e financeiras da televisão pública.
❓ No comunicado, a Direção questiona a sua responsabilização exclusiva e pede que sejam avaliadas também as condições e os meios disponibilizados pela administração.
Direção responde ao processo de destituição
A Direção da Televisão de Cabo Verde reagiu ao processo de destituição aberto pelo Conselho de Administração da Rádio Televisão Cabo-verdiana, na sequência, entre outros pontos, da cobertura do acidente no Fogo que provocou 25 mortos.
Num comunicado enviado à Inforpress, a Direção reconhece que a resposta da estação à tragédia poderia ter sido melhor, mas argumenta que a avaliação da atuação da televisão pública deve considerar os recursos efetivamente disponíveis.
Segundo a Direção, existem limitações significativas de meios técnicos e humanos, não dispondo atualmente a estação de recursos próprios suficientes para assegurar com autonomia transmissões em direto de grandes acontecimentos.
A televisão chega, segundo a mesma fonte, a recorrer a produtoras externas para operações que deveriam integrar a capacidade regular da estação, existindo também insuficiência de produtores e limitações na pós-produção.
O que aconteceu nas primeiras horas
A Direção apresenta igualmente a sua versão sobre a resposta ao acidente.
Segundo o comunicado, a equipa responsável pelo Jornal da Noite de sábado tomou conhecimento do acidente depois da emissão, numa altura em que ainda não existiriam informações suficientes para avaliar a dimensão da tragédia.
Nas primeiras horas de domingo, afirma, foram mobilizados os meios disponíveis e decidido o reforço da equipa no Fogo com um repórter de imagem e equipamento destinado à realização de diretos.
A Direção admite, ainda assim, que a resposta poderia ter sido melhor e reconhece que a velocidade das redes sociais exige atualmente maior capacidade de reação, mais meios e procedimentos adequados para situações de emergência.
Responsabilidades também na administração
A Direção rejeita que limitações estruturais, técnicas, humanas e financeiras possam servir para responsabilizá-la isoladamente.
Defende que, antes de uma decisão de destituição, deveria ter sido feito um levantamento das circunstâncias que condicionaram a resposta da empresa e avaliadas as responsabilidades das diferentes estruturas envolvidas.
No comunicado, questiona ainda os investimentos realizados na televisão pública, os equipamentos disponíveis para transmissões em direto, os recursos humanos existentes e os procedimentos definidos para acontecimentos de grande impacto nacional.
Para a Direção, cabe ao Conselho de Administração assumir também responsabilidade pelas opções de investimento, contratação de profissionais e disponibilização dos meios técnicos necessários ao funcionamento da televisão pública.
O caso abre assim uma discussão que ultrapassa a atuação da Direção e coloca uma questão mais ampla: que capacidade tem atualmente o serviço público de televisão para responder, em tempo útil, a uma grande emergência nacional?
Cape Verde 24.info
Fontes: Comunicado da Direção da Televisão de Cabo Verde; Inforpress





























