Ressonância magnética pode revelar alterações ligadas ao Alzheimer até sete anos antes

Em 30 segundos

​🧠 Alterações na espessura do córtex foram detetadas até sete anos antes de níveis elevados de beta-amiloide.

​🔬 O estudo analisou 4.570 ressonâncias magnéticas de 1.051 pessoas cognitivamente saudáveis.

​📊 Os dados foram comparados com 1.684 exames PET utilizados para acompanhar a acumulação de beta-amiloide.

​⚠️ A descoberta não significa que uma ressonância convencional já consiga prever quem terá Alzheimer.

Alterações podem começar muito cedo

​A análise de ressonâncias magnéticas poderá ajudar a identificar alterações cerebrais relacionadas com a doença de Alzheimer vários anos antes de alguns dos sinais biológicos atualmente usados para acompanhar a doença.

​Um estudo publicado na revista científica Nature Neuroscience identificou diferenças na espessura do córtex cerebral em imagens obtidas até sete anos antes de determinadas pessoas atingirem níveis elevados de beta-amiloide, proteína fortemente associada à doença de Alzheimer.

​Os investigadores reuniram dados de três grupos de adultos cognitivamente saudáveis e analisaram 4.570 ressonâncias magnéticas de 1.051 participantes, acompanhados ao longo do tempo.

​Foram também utilizados 1.684 exames PET de 691 pessoas para determinar quais participantes passaram de níveis baixos para níveis elevados de beta-amiloide.

Uma diferença inesperada no cérebro

​As pessoas que posteriormente desenvolveram níveis elevados de beta-amiloide apresentavam um padrão particular: em determinadas regiões, o córtex era ligeiramente mais espesso e diminuía de espessura mais lentamente do que entre participantes que continuaram com baixos níveis da proteína.

​Essas diferenças puderam ser observadas em ressonâncias realizadas pelo menos sete anos antes da deteção de níveis elevados de amiloide através de PET.

​O resultado é relevante porque as alterações estruturais do cérebro visíveis através de ressonância magnética eram geralmente consideradas posteriores à acumulação significativa de beta-amiloide.

​O novo estudo sugere que algumas mudanças cerebrais podem começar mais cedo do que se pensava.

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Não significa prever Alzheimer sete anos antes

​Os investigadores, porém, deixam uma distinção importante.

​O estudo não demonstra que uma pessoa saudável possa fazer hoje uma única ressonância magnética e descobrir se terá Alzheimer dentro de sete anos.

​O trabalho analisou várias imagens obtidas ao longo do tempo e comparou grupos de participantes através de modelos estatísticos.

​Além disso, os sete anos referem-se ao período anterior à deteção de níveis elevados de beta-amiloide por PET, e não necessariamente a sete anos antes do aparecimento de sintomas ou de um diagnóstico clínico de Alzheimer.

Uma nova pista para detetar mudanças precoces

​A importância da descoberta está sobretudo em compreender melhor quando começam as primeiras alterações associadas ao processo da doença.

​Se estes resultados forem confirmados e forem desenvolvidos métodos suficientemente precisos para analisar estas diferenças em cada pessoa, a ressonância magnética poderá futuramente ajudar a identificar indivíduos que necessitem de acompanhamento mais próximo.

​Por enquanto, trata-se de uma nova pista científica sobre a evolução do cérebro antes de níveis elevados de beta-amiloide serem detetáveis pelos exames atualmente utilizados.

Caboverde24.info

Fonte: Nature Neuroscience

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