“A aeronave opera para a companhia cabo-verdiana desde março de 2022 e foi registada em Cabo Verde como D4-CCI em maio daquele ano. Segundo o jornal angolano Valor Económico, TACV e TAAG negoceiam agora a transferência definitiva do avião, faltando definir o preço.”
Em 30 segundos
✈️ O Boeing 737-700 da TAAG opera para a TACV desde março de 2022 e recebeu a matrícula cabo-verdiana D4-CCI em maio.
🤝 Segundo o Valor Económico, as duas companhias negoceiam agora a venda definitiva da aeronave à TACV.
💰 A publicação angolana refere uma renda mensal de 250 mil dólares e cerca de 15 milhões de dólares obtidos pela TAAG ao longo da relação contratual.
🔎 A possibilidade de compra já tinha sido mencionada em 2024; a novidade é que as negociações estarão agora numa fase mais avançada, embora o preço continue por definir.
De avião alugado a possível propriedade da TACV
A TACV poderá tornar-se proprietária do Boeing 737-700 que utiliza há mais de quatro anos no âmbito da relação estabelecida com a companhia angolana TAAG.
A informação é avançada pelo jornal económico angolano Valor Económico, que cita uma fonte ligada à transportadora de bandeira de Angola.
Segundo a publicação, as negociações entre as duas companhias encontram-se numa fase avançada, com a TACV interessada na aquisição definitiva da aeronave.
O principal elemento ainda por definir será o preço da venda.
Opera para a TACV desde março de 2022
A aeronave em causa é um Boeing 737-700, MSN 34559, anteriormente utilizado pela TAAG com a matrícula angolana D2-TBF.
O avião começou a operar para a TACV em março de 2022, inicialmente ainda com a matrícula D2-TBF e através da operação assegurada pela companhia angolana.
Em maio de 2022, passou a estar registado em Cabo Verde como D4-CCI.
A aeronave tinha sido entregue originalmente à TAAG em 2006 e aproxima-se, portanto, dos 20 anos de idade.
Desde 2022 tem sido um dos aparelhos utilizados nas operações internacionais da transportadora cabo-verdiana.
Os 15 milhões exigem uma explicação
O Valor Económico refere que o atual aluguer corresponde a 250 mil dólares por mês e estima em cerca de 15 milhões de dólares o montante obtido pela TAAG ao longo da relação com a TACV.
Este último número deve, contudo, ser interpretado com cautela.
Uma simples multiplicação da atual renda mensal pelo período decorrido desde 2022 não resulta em 15 milhões de dólares.
Além disso, a relação contratual entre as duas companhias não manteve necessariamente as mesmas condições durante todo o período.
Na fase inicial, a aeronave foi disponibilizada em regime de wet lease, modalidade em que a TAAG assegurava também tripulação, manutenção e seguro, com uma estrutura de remuneração associada à operação.
Por isso, os cerca de 15 milhões de dólares avançados pela publicação angolana não devem ser apresentados como simples resultado de quatro anos de mensalidades de 250 mil dólares.
Caboverde24.info não encontrou documentação pública que permita decompor e confirmar de forma independente esse montante.
Contrato original não previa compra
Outro detalhe é relevante para compreender a negociação atual.
Segundo o Valor Económico, o contrato estabelecido em 2022 não incluía uma opção de compra.
A eventual aquisição do D4-CCI não resultará, portanto, da execução automática de uma cláusula prevista no acordo inicial.
Será necessária uma nova operação comercial entre TACV e TAAG para transferir definitivamente a propriedade do avião para a companhia cabo-verdiana.
A publicação angolana indica que existe entendimento para avançar com a venda, permanecendo por determinar o respetivo valor.
A possibilidade de compra já tinha sido mencionada
A intenção de eventualmente adquirir o Boeing não surge agora pela primeira vez.
Em 2024, o então embaixador de Cabo Verde em Angola, Júlio Morais, afirmou publicamente que existia a perspetiva de a aeronave poder vir a ser adquirida pela companhia cabo-verdiana.
A novidade agora avançada pela imprensa angolana é diferente: mais de dois anos depois, TAAG e TACV estarão efetivamente a negociar a venda, numa fase em que o preço surge como uma das questões ainda por fechar.
Quanto valerá agora um Boeing com cerca de 20 anos?
Esse valor será determinante para avaliar a operação.
O D4-CCI foi fabricado em 2006 e está ligado à operação da TACV desde 2022.
A idade, o estado técnico, os ciclos e horas de voo acumulados, o calendário das próximas grandes intervenções de manutenção e o valor de mercado de aeronaves comparáveis são elementos importantes para determinar quanto faz sentido pagar pelo aparelho.
Sem esses dados e sem conhecer o preço que vier a ser acordado, não é possível concluir se a compra será financeiramente mais vantajosa do que continuar a recorrer ao leasing ou procurar outra aeronave no mercado.
Uma relação que começou em 2022
A relação operacional entre TAAG e TACV em torno deste Boeing começou em março de 2022.
Primeiro, o avião chegou através de uma operação assegurada pela companhia angolana. Depois recebeu a matrícula cabo-verdiana D4-CCI e permaneceu ao serviço da TACV.
Em 2024 já se falava na possibilidade de uma futura aquisição.
Agora, segundo o Valor Económico, essa possibilidade terá evoluído para uma negociação concreta entre as duas transportadoras.
Depois de mais de quatro anos de utilização, a TACV poderá assim deixar de ser apenas operadora do D4-CCI e tornar-se proprietária da aeronave.
Mas continua a faltar a informação fundamental para avaliar a operação: quanto pretende a TAAG receber pelo Boeing e quanto estará a TACV disposta a pagar.
Cape Verde 24.info
Fonte: Valor Económico (Angola); registos aeronáuticos





























