Arquipélago regista média de 45,3 horas semanais de trabalho, posicionando-se no 20º lugar do ranking global de 2025, ao lado de Burkina Faso

Cabo Verde entre os 20 países onde se trabalha mais horas no mundo – Reportagem

“Trabalhadores cabo-verdianos registam 45,3 horas semanais, quase o dobro de países como Holanda e Noruega, segundo dados de novembro 2025”

Um estudo da World Population Review divulgado em início de novembro de 2025 através do Visual Capitalist coloca Cabo Verde entre os 20 países onde os trabalhadores dedicam mais horas semanais ao trabalho. Os dados, compilados a partir de estimativas nacionais dos setores laborais formais e informais de mais de 150 países, revelam que o arquipélago cabo-verdiano regista uma média de 45,3 horas semanais.

Enquanto a média mundial se situa nas 38,7 horas por semana (World Population Review, novembro 2025), as disparidades entre nações são acentuadas, com diferenças que chegam a quase 30 horas entre os países que trabalham mais e os que trabalham menos.

Cabo Verde entre os países com jornadas mais longas

Cabo Verde regista uma média de 45,3 horas de trabalho por semana (World Population Review, novembro 2025), ao mesmo nível de Burkina Faso. Este dado coloca o arquipélago significativamente acima da média global (38,7 horas) e revela uma realidade laboral marcada por jornadas extensas.

Para contextualizar, o Butão lidera o ranking mundial com 54,5 horas semanais, seguido pelo Sudão (50,8 horas) e Lesoto (50,2 horas). A legislação laboral cabo-verdiana estabelece uma semana de trabalho padrão de 44 horas máximas (Código do Trabalho, Lei nº 32/X/2023), mas a diferença para as 45,3 horas registadas pode indicar a prevalência de horas extraordinárias ou a significativa presença do setor informal na economia.

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No panorama africano, vários países registam cargas horárias superiores a Cabo Verde. Entre os países lusófonos africanos, São Tomé e Príncipe destaca-se com 48,2 horas semanais, enquanto outros países da região apresentam valores próximos aos cabo-verdianos: Senegal com 44,9 horas e Marrocos com 44,1 horas (World Population Review, novembro 2025).

Principais países africanos com mais horas de trabalho:

ANKING GLOBAL PAÍSES COM MAIS HORAS DE TRABALHO SEMANAIS - Cabo Verde24

Fonte: World Population Review, novembro 2025

  • Sudão: 50,8 horas
  • Lesoto: 50,2 horas
  • República do Congo: 48,7 horas
  • São Tomé e Príncipe: 48,2 horas
  • Burkina Faso e Cabo Verde: 45,3 horas
  • Senegal: 44,9 horas
  • Marrocos: 44,1 horas

Esta posição reflete uma realidade comum a muitos países em desenvolvimento, onde a necessidade económica e a prevalência de indústrias intensivas em mão-de-obra contribuem para jornadas de trabalho mais longas.

O mercado de trabalho cabo-verdiano

O mercado laboral de Cabo Verde apresenta uma taxa de emprego de 54,4%. Segundo dados do mercado de trabalho de 2025, o salário mínimo nacional foi fixado em 17.000 escudos cabo-verdianos mensais a partir de maio de 2025, enquanto para os trabalhadores do setor público o salário mínimo passou a ser de 19.000 escudos mensais, em vigor desde janeiro de 2025.

Setores-chave da economia:

  • Turismo e Serviços: Setor mais dinâmico, oferecendo salários superiores à média
  • Agricultura e Pesca: Significativo nas zonas rurais, com remunerações mais baixas
  • Administração Pública: Empregador estável com condições relativamente regulares
  • Indústria: Em crescimento, mas ainda limitado

Este contexto salarial, combinado com o custo de vida no arquipélago, explica parcialmente a necessidade de horas de trabalho mais longas para muitos trabalhadores cabo-verdianos.

Proteções laborais e horas extraordinárias
A legislação cabo-verdiana (Código do Trabalho, Lei nº 32/X/2023) estabelece limites claros:

  • Semana de trabalho padrão: 44 horas máximas
  • Horas extraordinárias: Máximo de 2 horas diárias e 160 horas anuais (extensível a 300 horas com consentimento escrito)
  • Prémio por horas extras: 20% a 35% sobre o salário ordinário
  • Trabalho noturno (22h-6h): Prémio de 25% sobre o salário base
  • Trabalho ao fim de semana: Prémio de 100% sobre o pagamento regular
  • Descanso semanal: Mínimo de 24 horas ininterruptas, geralmente aos domingos


Para trabalhadores entre 16 e 18 anos, a semana de trabalho é reduzida para 38 horas, com máximo de 7 horas diárias, refletindo proteções especiais para trabalhadores mais jovens.

Economia informal: Um fator explicativo

Uma porção significativa da força de trabalho cabo-verdiana opera no setor informal, onde os salários não são regulados e as horas de trabalho podem ser substancialmente diferentes das registadas oficialmente. Este fenómeno, comum a muitos países africanos, explica a discrepância entre as 44 horas legais e as 45,3 horas registadas no estudo internacional (World Population Review, novembro 2025).

A economia informal tende a ter jornadas de trabalho mais flexíveis mas frequentemente mais longas, especialmente em setores como o comércio, agricultura familiar e serviços diversos.

Comparação com países desenvolvidos

O contraste com países desenvolvidos é notório. Enquanto Cabo Verde regista 45,3 horas semanais, muitos países europeus situam-se bem abaixo: a Holanda com 26,8 horas, Noruega com 27,1 horas e Dinamarca com 28,8 horas (World Population Review, novembro 2025).

Estas diferenças refletem não apenas legislação diferente, mas também níveis de produtividade, automatização e proteção social mais elevados. Os países nórdicos e da Europa Ocidental beneficiam de forte produtividade, elevada automatização e generosas proteções laborais que permitem semanas de trabalho mais curtas.

Conclusão

Cabo Verde posiciona-se entre os países onde se trabalha mais horas a nível mundial, com 45,3 horas semanais segundo dados divulgados em novembro de 2025 pela World Population Review. Este valor coloca o arquipélago significativamente acima da média global de 38,7 horas, refletindo os desafios económicos de um país em desenvolvimento.
A realidade laboral cabo-verdiana revela jornadas extensas que, embora reguladas por legislação que estabelece limites e proteções, mostram a necessidade de muitos trabalhadores complementarem rendimentos através de horas extraordinárias ou atividades no setor informal.

O desafio para Cabo Verde será conciliar o crescimento económico com a melhoria das condições laborais, investindo em produtividade e diversificação económica para permitir que os trabalhadores cabo-verdianos possam garantir um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal, mantendo ao mesmo tempo a segurança do seu bem-estar económico.

Cabo Verde24


NOTA DA REDAÇÃO
Esta reportagem foi elaborada pela equipa do caboverde24.info com base numa análise aprofundada de múltiplas fontes internacionais e nacionais, garantindo a precisão e fiabilidade dos dados apresentados aos nossos leitores.


Fontes consultadas e verificadas:

World Population Review – “Average Hours Worked by Country” (novembro 2025)
Visual Capitalist – “Mapped: The World’s Hardest Working Countries in 2025” (publicado início de novembro 2025)
Código do Trabalho de Cabo Verde – Decreto Legislativo nº 5/2007, com alterações pela Lei nº 32/X/2023
International Labour Organization (ILO) – ILOEST Database (2025)
– Dados sobre emprego e legislação laboral de Cabo Verde (2025)
Business Insider Africa

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