“Proposta de Lei visa elevar moldura penal para crimes contra a natureza no país vizinho”
O Primeiro-Ministro do Senegal, Ousmane Sonko, submeteu formalmente ao Parlamento senegalês um projecto de lei que visa endurecer significativamente as sanções penais aplicadas a actos homossexuais. A iniciativa legislativa surge num contexto de intenso debate social e político no país, procurando alterar o actual Código Penal para reflectir uma postura mais rigorosa em relação ao que a legislação local define como “actos contra a natureza”.
O endurecimento das penas
Actualmente, o Código Penal do Senegal já criminaliza as relações entre pessoas do mesmo sexo com penas que variam entre um e cinco anos de prisão. A nova proposta apresentada pelo Governo de Sonko sugere um aumento substancial, elevando o limite mínimo para cinco anos e o máximo para dez anos de reclusão. Além do tempo de prisão, o projecto prevê também o aumento das multas pecuniárias associadas a estas condenações, reforçando o carácter punitivo da norma.
Esta movimentação legislativa é interpretada como uma resposta às pressões de diversos sectores da sociedade senegalesa, incluindo influentes líderes religiosos e organizações civis que defendem a preservação dos valores tradicionais e culturais da nação. No Senegal, a religião desempenha um papel fundamental na orientação da vida pública e na formulação de políticas de moralidade.
Tabela de comparação legislativa
Quem é Ousmane Sonko?
Ousmane Sonko é o actual Primeiro-Ministro do Senegal, tendo assumido o cargo em 2024 após a vitória eleitoral da coligação que apoia o Presidente Bassirou Diomaye Faye. Líder do partido PASTEF, Sonko consolidou-se como uma das figuras mais influentes da política senegalesa contemporânea. A sua ascensão ao poder foi marcada por uma retórica de soberania nacional, justiça social e um forte alinhamento com a identidade cultural africana. Antes de assumir a chefia do governo, Sonko foi um destacado líder da oposição, protagonizando momentos de grande tensão política que resultaram em reformas profundas nas instituições do país.
Contexto continental: outros países com criminalização
A proposta do Senegal insere-se num quadro regional onde a criminalização de actos homossexuais ainda é prevalecente. Em 2026, aproximadamente trinta nações africanas mantêm dispositivos legais contra estas práticas.
- Uganda: Mantém uma das legislações mais severas do continente, prevendo a pena capital para casos considerados graves.
- Burkina Faso: Recentemente, em Setembro de 2025, o governo de transição aprovou uma nova lei que criminaliza actos homossexuais com penas de dois a cinco anos de prisão.
- Gâmbia e Nigéria: Estes países vizinhos mantêm molduras penais rigorosas, com a Gâmbia a prever prisão perpétua em circunstâncias específicas e a Nigéria a aplicar penas severas, especialmente nos estados do norte sob jurisdição religiosa.
- Contraste Regional: Em sentido oposto, países como Cabo Verde, Angola e África do Sul destacam-se pela descriminalização e pela existência de garantias constitucionais que protegem a dignidade humana sem distinção de orientação sexual.
Implicações regionais e direitos humanos
A proposta de Sonko ocorre num momento em que a África Ocidental debate o equilíbrio entre a soberania legislativa e os compromissos com tratados internacionais de direitos humanos. Para os leitores em Cabo Verde, estas alterações no Senegal são acompanhadas com elevada atenção. Dada a proximidade geográfica, os fluxos migratórios e as intensas trocas comerciais entre as duas nações no âmbito da CEDEAO, qualquer mudança estrutural no ordenamento jurídico senegalês tem reflexos na convivência regional e na percepção de segurança jurídica para cidadãos estrangeiros.
Caboverde24.info
Fonte: Agência de Imprensa Senegalesa (APS) e Diário da República do Senegal.







































