“O navio holandês permanece fundeado em frente à capital cabo-verdiana, enquanto a OMS coordena uma resposta internacional de emergência a um surto de hantavírus que já ceifou três vidas.”
Uma viagem que se tornou tragédia
O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, a 20 de março de 2026, com chegada prevista a Cabo Verde a 4 de maio — uma viagem de 46 dias que incluía paragens na Antártida, nas ilhas Falkland, na Geórgia do Sul e em Santa Helena. A bordo, cerca de 170 passageiros de diversas nacionalidades e 71 tripulantes, incluindo um médico. O itinerário polar da companhia holandesa Oceanwide Expeditions deveria terminar nas Ilhas Canárias.
Em vez disso, o cruzeiro transformou-se no centro de uma emergência sanitária internacional. O que era uma expedição de sonho tornou-se um pesadelo logístico e humano em pleno Oceano Atlântico.
As três vítimas: quem eram
As autoridades e a companhia operadora confirmaram três mortes, mas os nomes das vítimas não foram divulgados publicamente, numa decisão de respeito pelas famílias. As nacionalidades, porém, são agora conhecidas.
Primeira vítima — homem holandês, 70 anos
Foi o primeiro a manifestar sintomas: febre intensa, cefaleia e dores abdominais. Morreu a bordo e o seu corpo foi transferido para a ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul, onde aguarda repatriamento para os Países Baixos.
Segunda vítima — mulher holandesa, 69 anos (esposa do anterior)
Adoeceu durante a viagem e foi evacuada para a África do Sul. Faleceu num hospital em Joanesburgo enquanto tentava regressar aos Países Baixos. Colapsou no aeroporto internacional O.R. Tambo antes de conseguir embarcar. Sobreviveu ao marido apenas por alguns dias.
Terceira vítima — cidadão alemão (atualização)
A identidade da terceira vítima é agora parcialmente conhecida. Segundo informações divulgadas pela Oceanwide Expeditions e confirmadas pela emissora irlandesa RTE, trata-se de um passageiro de nacionalidade alemã, que faleceu a bordo do MV Hondius a 2 de maio. A causa da morte ainda não foi oficialmente estabelecida. O corpo permanecia a bordo do navio, aguardando protocolos de repatriamento.
A cronologia dos eventos (atualização)
A Oceanwide Expeditions divulgou uma linha do tempo detalhada que permite reconstruir como a situação se agravou progressivamente:
Quem está ainda a bordo (atualização)
Restam 149 pessoas a bordo do MV Hondius, de várias nacionalidades. Entre os passageiros confirmados encontram-se 17 cidadãos americanos e dois irlandeses. Os dois tripulantes em estado grave são um britânico e um holandês, ambos com sintomas respiratórios agudos — mas o hantavírus não foi ainda confirmado em nenhum dos dois casos.
Os dois tripulantes com sintomas respiratórios são de nacionalidade britânica e holandesa. Ao contrário do que foi inicialmente reportado, a Oceanwide Expeditions esclarece que um apresenta sintomas ligeiros e o outro sintomas graves — ambos necessitam de cuidados médicos urgentes. Nenhum outro passageiro ou tripulante apresenta sintomas neste momento.
Quem é a Oceanwide Expeditions?
A Oceanwide Expeditions é uma operadora de cruzeiros de expedição sediada nos Países Baixos, pioneira em viagens para as regiões polares. A empresa utiliza navios de pequeno porte, como o MV Hondius, que possuem cascos reforçados para o gelo. O seu foco é o turismo de observação da natureza e vida selvagem em locais remotos de difícil acesso, como a Antártida e o Ártico.
O próximo destino: Canárias? (atualização)
Face à recusa de desembarque em Cabo Verde, a Oceanwide Expeditions estuda agora uma alternativa. Segundo o comunicado oficial de 4 de maio, está a ser considerada a opção de fazer rota para Las Palmas ou Tenerife, nas Ilhas Canárias, como ponto de desembarque, onde poderiam realizar-se novos rastreios médicos e tratamentos. A decisão depende da evolução da situação sanitária a bordo e das autorizações das autoridades competentes.
O que acontece ao largo da Praia
A situação em Cabo Verde é de gestão cuidadosa e contenção preventiva. Profissionais de saúde do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), com equipamento de proteção integral, subiram a bordo do navio para realizar uma avaliação clínica dos infetados.
A decisão das autoridades cabo-verdianas foi clara e mantém-se inalterada: não haverá desembarque de qualquer pessoa no arquipélago. O navio vai manter contacto permanente com as autoridades para qualquer assistência médica necessária, mas passageiros e tripulantes vão continuar no mar até que o repatriamento internacional seja organizado.
A voz de dentro do navio (atualização)
Um dos passageiros a bordo, o criador de conteúdos de viagens Jake Rosmarin, publicou um vídeo na rede social Instagram com a voz embargada pela emoção: “O que está a acontecer agora é muito real para todos nós aqui. Não somos apenas uma história. Não somos apenas títulos de jornal. Somos pessoas, pessoas com famílias, com vidas, com pessoas à nossa espera em casa.” O testemunho tornou-se viral e dá um rosto humano a uma crise que, nos números, arrisca tornar-se fria.
A OMS tranquiliza: risco baixo para o público
Apesar da gravidade da situação a bordo, as autoridades internacionais de saúde pedem calma. Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, foi claro: “Não há necessidade de pânico nem de restrições de viagem.” O risco para a população geral é considerado baixo. O hantavírus não se transmite facilmente de pessoa para pessoa — a infeção ocorre principalmente por contacto com roedores ou os seus dejetos.
Caboverde24.info
Fonte: OMS, Oceanwide Expeditions, INSP, RTE Irlanda

























