“A bordo do MV Hondius viajavam turistas abastados de todo o mundo, atraídos por uma das expedições marítimas mais exclusivas do planeta“
Uma expedição para poucos
Não é qualquer pessoa que embarca no MV Hondius. A viagem que trouxe o navio ao largo da Praia — a chamada Atlantic Odyssey, com partida de Ushuaia, na Argentina, e chegada prevista a Cabo Verde — é uma das expedições marítimas mais exclusivas e dispendiosas do mundo.
Os preços começam nos 8.500 euros por pessoa para as cabines mais simples, equipadas com beliches e escotilhas circulares no convés inferior. No entanto, quem procura o máximo conforto paga valores significativamente mais altos — até 27.000 euros por pessoa nas cabines de maior luxo.
Das beliches às suites com varanda: o que existe a bordo
O MV Hondius oferece acomodação para 176 passageiros numa variedade de suites e cabines. No topo da hierarquia encontra-se a espaçosa “Hondius Suite” — a cabine mais luxuosa do navio — com 35 metros quadrados e varanda privativa. Seguem-se seis “grand suites” com varandas de 27 metros quadrados, oito “junior suites” de 19 a 20 metros quadrados, e oito cabines superiores de 20 a 21 metros quadrados.
Para as cabines mais económicas, a “twin porthole” situa-se no convés 3, dispondo de dois beliches, sofá pequeno, casa de banho privativa, televisão, secretária e ligação WiFi.
Os preços das suites principais para esta travessia de 46 dias atingem valores entre os 20.000 e os 27.000 euros por pessoa. Os viajantes individuais enfrentam custos ainda maiores: um suplemento de 1,7 vezes a tarifa de cabine dupla para ocupação individual.
Resumo das categorias de cabine
Quem viaja nestes cruzeiros?
Os passageiros de uma viagem típica do MV Hondius têm idades compreendidas entre os 30 e os 80 anos, situando-se a maioria entre os 45 e os 65 anos. Estas expedições atraem viajantes independentes de todo o mundo, com forte interesse na exploração de regiões remotas e natureza selvagem.
A bordo desta viagem específica encontravam-se cidadãos de 23 nacionalidades diferentes. Entre as mais representadas contam-se 19 britânicos, 17 americanos, 13 espanhóis, 7 alemães, 5 franceses, 4 canadianos e 4 australianos. Três das nacionalidades confirmadas estão diretamente ligadas às vítimas mortais ou aos casos graves: holandesa, alemã e britânica.
O que estava incluído no preço
O elevado valor da viagem incluía todas as refeições a bordo — incluindo lanches, café e chá —, todas as excursões em terra e atividades em botes Zodiac, um programa de conferências por naturalistas especializados e o transporte de bagagem em Ushuaia.
Ficaram de fora do pacote: passaportes e vistos, impostos de chegada e partida, refeições em terra, excesso de bagagem, despesas pessoais como lavandaria e bar, e a gratificação habitual no final da viagem — estimada pela própria companhia entre 8 a 10 euros por pessoa, por dia.
Um navio de última geração
O MV Hondius é o primeiro navio do mundo registado com a classificação “Polar Class 6”, a mais alta das normas do Lloyd’s Register para navios de cruzeiro com casco reforçado para o gelo. Superando os requisitos do Código Polar adotado pela Organização Marítima Internacional, é considerado o navio de turismo mais avançado para operações em regiões polares.
A bordo, dispõe de um salão de observação panorâmica, sala de conferências, estabilizadores avançados e dois motores principais capazes de atingir 15 nós. Ironicamente, conta com apenas um médico — o único para prestar assistência a 170 passageiros e 71 tripulantes, em pleno Atlântico Sul.
O paradoxo da viagem de sonho
Pagar entre 8.500 e 27.000 euros por pessoa para chegar a Cabo Verde desta forma — fundeado ao largo da Praia, impedido de desembarcar, com três companheiros de viagem mortos e dois tripulantes doentes — é o paradoxo cruel desta história.
A viagem estava prevista para terminar a 4 de maio na Cidade da Praia. Terminou, de facto, na capital cabo-verdiana, mas de uma forma que nenhum dos passageiros poderia ter imaginado. A primeira morte ocorreu a 11 de abril, semanas antes de o navio atingir águas nacionais, quando ainda navegava no Atlântico Sul.
Próximos passos e destino final
O governo dos Países Baixos lidera atualmente os esforços para repatriar os dois tripulantes doentes e o cidadão falecido, dependendo da autorização final das autoridades de Cabo Verde. Após esta operação, o navio deverá seguir para as Ilhas Canárias, em Espanha, onde serão realizados novos rastreios médicos e o desembarque total dos passageiros.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha em conjunto com as autoridades locais para a evacuação dos doentes, enquanto um possível novo caso — uma pessoa com febre ligeira — está sob monitorização rigorosa. As investigações sobre a origem exata do surto continuam em curso.
Caboverde24.info
Fonte e imagem: Oceanwide Expeditions, OMS, CBS News



















