Imagem de arquivo — membro de busca e salvamento do Joshua Tree National Park bebe água durante o calor do verão. A fotografia não integra o relatório.

Calor foi associado a 710 mil mortes num ano: como reconhecer o perigo

“«O novo Lancet Countdown apresenta uma estimativa mundial para 2023, explica as limitações do modelo e reforça medidas simples de proteção durante períodos de calor.»”

Em breve

  • 🌡️ O calor foi associado a cerca de 710 mil mortes no mundo em 2023.
  • 📊 O modelo atribuiu 71,5% desse total à mudança climática causada pelo ser humano.
  • 🧓 Pessoas idosas e quem tem doenças pré-existentes estão entre os grupos mais vulneráveis.
  • 💧 Sombra, hidratação, roupa leve e uma casa fresca reduzem riscos evitáveis.
  • 🚑 Desmaio, tonturas, náuseas, delírio ou perda de consciência exigem ajuda médica imediata.

O calor esteve associado a uma estimativa recorde de 710 mil mortes no mundo em 2023. O novo Lancet Countdown, divulgado esta quarta-feira, 28 de outubro, calcula que 71,5% desse total foi atribuível à mudança climática causada pelo ser humano. São estimativas produzidas por um modelo científico, não uma contagem direta de certificados de óbito.

Como se chega às 710 mil mortes

O indicador combina uma base de mortalidade que cobre 129 países, modelos da relação entre temperatura e mortes e estimativas anuais do Global Burden of Disease. Para medir a parcela atribuída à ação humana, os investigadores compararam as temperaturas observadas com um cenário contrafactual, isto é, um mundo sem a mudança climática provocada pelo ser humano.

O limite que o próprio modelo reconhece

A própria metodologia assinala um limite importante: a relação entre exposição ao calor e mortalidade é mantida constante ao longo do tempo. O cálculo não incorpora totalmente processos de adaptação ou de má adaptação. Por isso, o resultado pode sobrestimar mortes onde a proteção melhorou ou subestimá-las onde a vulnerabilidade aumentou.

A OMS resume outra tendência: a média anual de mortes relacionadas com o calor aumentou quase 36% nos anos posteriores ao Acordo de Paris, comparada com a década anterior. O relatório acompanha 54 indicadores de saúde e clima. Estes números são mundiais e não permitem calcular quantas mortes ocorreram em Cabo Verde.

O calor afeta mais do que a temperatura do corpo

O perigo não se limita ao chamado golpe de calor. A exposição pode agravar doenças cardíacas, provocar lesão renal aguda e aumentar o risco de morte prematura. Pessoas idosas, mulheres e quem vive com doenças pré-existentes aparecem entre os grupos particularmente vulneráveis no indicador.

O que fazer nas horas mais quentes

Durante um período muito quente, a orientação da OMS é evitar saídas e esforço físico nas horas de maior calor, procurar sombra e acompanhar os avisos oficiais. Em casa, abrir as janelas depois de escurecer, quando o ar exterior está mais fresco, e fechar janelas, persianas ou cortinas durante o dia pode reduzir a carga de calor.

Roupa leve, banhos frescos e água tomada com regularidade ajudam o corpo a perder calor. Também é importante verificar familiares, vizinhos e amigos que passam muito tempo sozinhos, sobretudo pessoas idosas ou com doenças do coração, pulmões ou rins.

Quando pedir ajuda imediatamente

Desmaio, tonturas, náuseas, deixar de transpirar, delírio ou perda de consciência são sinais de emergência. A OMS recomenda chamar imediatamente os serviços de emergência. Enquanto a ajuda não chega, a pessoa deve ser levada para um local fresco e arrefecida com panos molhados, sem atrasar o pedido de assistência profissional.

Caboverde24.info

Fonte: World Health Organization; Lancet Countdown.

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