Fiambre e saúde: OMS alerta sobre o risco das carnes processadas

“​O consumo regular de enchidos e carnes transformadas está associado a um aumento do risco de cancro, exigindo uma reavaliação dos hábitos alimentares diários”

​O fiambre, as salsichas e o bacon são presenças assíduas nos pequenos-almoços e lanches rápidos em todo o mundo, e Cabo Verde não é exceção. A praticidade destes alimentos, contudo, esconde riscos que a comunidade científica tem vindo a sublinhar com insistência. O alerta central parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica as carnes processadas como cancerígenas para os seres humanos, uma declaração que obriga a um olhar mais atento sobre o que colocamos no prato.

Esta classificação baseia-se em evidências sólidas de que o consumo destas carnes provoca cancro colorretal. Embora a notícia possa parecer alarmante, o objetivo das autoridades de saúde não é proibir o consumo, mas sim informar a população para que possa fazer escolhas conscientes e moderadas.

Quem é a Organização Mundial da Saúde (OMS)?

​Sendo a entidade responsável por este alerta, é fundamental compreender a sua autoridade. A Organização Mundial da Saúde (OMS), fundada em 1948, é a agência especializada das Nações Unidas responsável pela saúde pública internacional. Sediada em Genebra, a sua missão é promover a saúde, manter o mundo seguro e servir os vulneráveis.

​Para a avaliação sobre o cancro, a OMS conta com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC). Esta agência reúne os melhores cientistas do mundo para rever estudos epidemiológicos e determinar se substâncias ou comportamentos (como fumar, exposição ao sol ou comer certos alimentos) podem causar cancro. As suas classificações são consideradas o “padrão ouro” na ciência oncológica.

O significado da Classificação “Grupo 1”

​A IARC colocou as carnes processadas no Grupo 1. Nesta categoria estão agentes para os quais existe “evidência suficiente” de carcinogenicidade em humanos. Isto coloca o fiambre e os enchidos na mesma lista que o tabaco e o amianto.

​É crucial, no entanto, distinguir a força da evidência do nível de risco. Estar no mesmo grupo que o tabaco significa que a certeza de que ambos causam cancro é igual, mas não significa que comer uma sandes de fiambre seja tão perigoso quanto fumar um maço de cigarros. O tabaco mata milhões por ano; o impacto da carne processada, embora real, é significativamente menor em termos absolutos.

Dados e comparativos

​Para clarificar o impacto real na saúde, a tabela abaixo resume as distinções feitas pela IARC e os riscos calculados:

Por que o processamento é prejudicial?

​O problema das carnes processadas reside nos métodos utilizados para a sua conservação e intensificação de sabor. A adição de conservantes como nitratos e nitritos é comum. No ambiente ácido do estômago ou durante o cozimento a altas temperaturas (como grelhar ou fritar), estes compostos podem transformar-se em nitrosaminas, que são agentes cancerígenos conhecidos.

​Além disso, o processo de fumagem pode gerar hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, os mesmos compostos tóxicos encontrados no fumo da queima de combustíveis, que se depositam na superfície da carne.

O contexto cabo-verdiano e a moderação

​Para o consumidor em Cabo Verde, a mensagem deve ser de equilíbrio. O consumo esporádico de fiambre ou chouriço não representa um perigo iminente. O risco aumenta com o consumo contínuo e diário.

​A dieta cabo-verdiana tradicional, rica em peixe, milho e feijão, oferece excelentes alternativas. Substituir a carne processada por peixe fresco, ovos ou proteínas vegetais em várias refeições da semana é uma estratégia eficaz de prevenção. A aposta deve ser numa alimentação variada, rica em fibras (frutas e vegetais), que funcionam como protetores do sistema digestivo.

Caboverde24.info

Fonte: IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans / Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nota Editorial: As informações contidas neste artigo têm caráter educativo e baseiam-se em estudos populacionais. Para orientações dietéticas específicas para condições de saúde pré-existentes, consulte um nutricionista.

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