A rádio francesa RFI foi a Santiago buscar um segredo musical chamado Princezito

“A rádio francesa RFI foi a Santiago buscar um segredo musical chamado Princezito — e revelou ao mundo um dos guardiões da alma cabo-verdiana.”

Um artista que nasceu na terra do finason

​Carlos Alberto Sousa Mendes, nome artístico Princezito, nasceu em Cabo Verde quatro anos antes da independência, na ilha de Santiago, na vila do Tarrafal — Monte Iria, zona onde a lendária cantadeira de finason Bibinha Kabral viveu os últimos anos de vida, e de quem Princezito herdou a arte de cantar.

​Desde criança, a música e a poesia foram o seu território natural. A primeira vez que cantou finason, conta o próprio artista, as pessoas ficaram espantadas: “Era estranho, pois só gente velha o fazia.” Esta ligação precoce a uma tradição considerada de “outro tempo” acabaria por definir toda a sua trajetória artística.

Quem é a RFI?

​A RFI (Radio France Internationale) é a rádio pública internacional francesa, fundada em 1931 e com sede em Paris. Emite em mais de 20 línguas, incluindo português, e é uma das estações de rádio com maior audiência no mundo, especialmente em África — onde conta com dezenas de milhões de ouvintes regulares.

​O programa Les Pépites Musicales de RFI — “As Pépitas Musicais da RFI” — é um espaço dedicado à descoberta de artistas africanos e lusófonos de referência, funcionando como uma das mais prestigiadas vitrines musicais do continente africano a nível internacional.

​Ser destacado pela RFI equivale, no mundo da música africana e lusófona, a receber um selo de reconhecimento internacional de primeiro plano.

Síntese do perfil prtístico do compositor

De Cuba ao batuku: uma formação plural

​Durante os oito anos que viveu em Cuba, Princezito absorveu a grande diversidade cultural daquele país, desde os ritmos afro-cubanos à música popular e contemporânea. Esta experiência internacional aprofundou, paradoxalmente, a sua relação com as raízes de Santiago.

​Membro da chamada Geração Pantera, Princezito é um dos responsáveis pelas novas leituras das tradições musicais de Cabo Verde. Para além de compositor e intérprete, é investigador e conhecedor profundo das manifestações culturais mais genuínas da ilha de Santiago — como o batuko e o finaçon — tendo revitalizado géneros musicais tradicionais através das suas composições, cantadas, entre outros, por Mayra Andrade, Lura e Nancy Vieira.

O “príncipe do nada” que conquistou tudo

​O seu nome artístico esconde uma filosofia de vida. Quando lhe perguntam pelo pseudónimo, Princezito responde com uma simplicidade desarmante: “Parce que os príncipes são muito abastados, têm muito gado, carros, casas — e eu não tenho nada. Então sou príncipe do nada!”

​Foi o preceptor do projeto AYAN, registo discográfico que evidenciou a nova tendência do estilo batuku e projetou a chamada Geração Pantera — uma produção que contou com a participação de Tcheka, Vadu e Djingo, e onde Princezito trouxe “Lua”, composição de sua autoria que tem vindo a marcar o sentido e a alma dos muitos que a escutam, registada por Mayra Andrade em CD e por Lura em DVD.

​Não sendo amplamente conhecido fora de Cabo Verde até há alguns anos, o seu povo sempre o reconheceu: “Todo o mundo me conhece.” Em Portugal já se apresentou em múltiplas ocasiões, e o Brasil descobriu-o através de festivais culturais internacionais.

Um momento certo para uma descoberta necessária

​No dia 13 de junho de 2026, o programa Les Pépites Musicales de RFI dedicou um episódio inteiro a Princezito, sob o título evocador “Prince de la nuit pour des mélodies de la vie” — príncipe da noite para as melodias da vida. A escolha da RFI não é casual: numa época em que a música cabo-verdiana voltou aos holofotes internacionais graças ao Mundial 2026, a estação francesa sublinha que a riqueza do arquipélago vai muito além do futebol.

​O Atlantic Music Expo, realizado em Praia em abril de 2026, já tinha reafirmado a ambição de Cabo Verde de fazer da cultura e da música um verdadeiro vetor de desenvolvimento. A visibilidade de Princezito na RFI insere-se nesse momento de afirmação cultural cabo-verdiana no mundo.

Um legado que outros cantam

​A dimensão de Princezito como compositor vai muito além das suas próprias interpretações. As suas composições foram interpretadas por nomes como Nancy Vieira, Mayra Andrade, Diva, Ritinha Lobo, Samira e Jenifer, entre outros. O seu álbum solo Spiga (2008) abriu-lhe portas e consolidou a sua reputação como um dos arquitetos da renovação musical santiaguense.

​Entre as suas composições mais marcantes encontram-se “Lua”, “Batuku Azul”, “Mar”, “Fala Fula” e “História de Amor em Tempo de Guerra” — peças que traduzem a complexidade emocional e histórica de Santiago.

Recordamos que…

Princezito, nome artístico de Carlos Alberto Sousa Mendes, natural do Tarrafal de Santiago, é um dos representantes mais autênticos da Geração Pantera, movimento que na viragem do milénio renovou a música tradicional cabo-verdiana. O programa da RFI Les Pépites Musicales, emitido internacionalmente a 13 de junho de 2026, voltou a colocar este artista e investigador no centro da atenção internacional, coincindindo com um momento histórico de grande projeção global e cultural do arquipélago neste mês de junho.

Caboverde24.info

Fonte: RFI — Les Pépites Musicales de RFI

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