Construction and tourism on alert: the "Mover" project brings in labor that is already lacking in Cape Verde

 “Iniciativa visa colmatar falhas em Portugal com 320 contratações diretas de Cabo Verde e Angola e apoio a mais 800 migrantes, ignorando a “grave criticidade” do mercado interno, onde obras atrasam e serviços falham”

 

O lançamento, esta segunda-feira, do projeto “Mover” em Portugal, fez soar novamente os alarmes nos setores da construção civil e do turismo no arquipélago. A iniciativa, desenhada com detalhe para resolver a escassez de mão de obra lusa, ameaça aprofundar uma ferida já aberta na economia nacional: a falta crítica de operários e técnicos para sustentar o desenvolvimento local.

O “Mover” em detalhe: Uma máquina de recrutamento

Ao contrário de vagas de imigração anteriores, o projeto “Mover” apresenta-se como uma operação robusta e financiada. Coordenado pela Organização Internacional das Migrações (OIM) e apoiado pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI), o plano tem metas concretas:

  • Recrutamento direto: Trazer 320 trabalhadores de Cabo Verde e Angola de forma imediata e regular.

  • Orientação alargada: Apoiar outros 800 cidadãos nos seus processos de recrutamento para o mercado português.

  • Integração completa: O pacote inclui formação profissional ainda antes da partida, aulas de “português técnico” e acompanhamento social na chegada.

A operação conta com pesos pesados da economia portuguesa, como a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e a Confederação do Comércio e Serviços, garantindo que quem sai de Cabo Verde vai diretamente para onde a economia lusa mais precisa: construção, hotéis e comércio.

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A solução de Lisboa, o problema da Praia

Se em Lisboa o projeto é visto como uma “ferramenta de desenvolvimento partilhado”, na Praia a leitura é outra. A coincidência dos setores visados cria uma pressão insustentável sobre o tecido empresarial cabo-verdiano, que perde os seus quadros para estas ofertas estruturadas.

Vozes da crise interna: “Faltam braços para trabalhar”

O paradoxo é evidente e o cenário de dificuldade não é novo. Como muitas vezes reportado pela imprensa nacional, a escassez de pessoal qualificado e não qualificado deixou de ser uma previsão para se tornar uma realidade diária que asfixia o setor privado.

Empresários de várias ilhas, do Sal a Santiago, têm vindo a público lamentar sistematicamente a impossibilidade de cumprir prazos de obras ou manter a qualidade dos serviços turísticos. Os relatos na comunicação social local repetem-se: faltam pedreiros, carpinteiros, eletricistas e pessoal de hotelaria.

A “fuga” de quadros, agora potenciada por um projeto que oferece formação e certificação pré-viagem, agudiza um cenário onde as empresas cabo-verdianas já lutam para sobreviver à falta de mão de obra disponível.

O dilema do desenvolvimento

Enquanto o “Mover” é elogiado diplomaticamente por promover uma “migração segura” e combater o tráfico humano, internamente cresce a preocupação sobre quem ficará para construir o país.

A “grave criticidade” do mercado interno coloca Cabo Verde num dilema complexo: como pode a economia nacional competir pelos seus próprios trabalhadores contra iniciativas europeias financiadas, que retiram a força de trabalho vital, deixando para trás estaleiros parados e equipas desfalcadas nos setores-chave do arquipélago?

Cape Verde 24.info 

Fonte: Diário de Notícias 

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