“Com 4.328 quartos em pipeline e uma média de 255 quartos por unidade, o arquipélago destaca-se no mapa do investimento hoteleiro em África — mas a maioria dos projetos ainda não saiu do papel.”
O arquipélago de Cabo Verde figura em sexto lugar no ranking africano de desenvolvimento hoteleiro, segundo o relatório Hotel Chain Development Pipelines in Africa 2026, elaborado pelo W Hospitality Group. Cabo Verde conta com 17 hotéis em pipeline, totalizando 4.328 quartos, com uma média por unidade de 255 quartos — uma das mais elevadas de todo o continente.
O relatório revela um recorde histórico de 123.846 quartos em 675 hotéis e resorts em desenvolvimento em toda África, representando um crescimento homólogo de 18,6%. Trata-se de um sinal claro da crescente confiança dos investidores internacionais no potencial turístico do continente.
O top 10 africano: quem lidera?
Os dez países com maior número de quartos em desenvolvimento são, por ordem: Egito, Marrocos, Nigéria, Quénia, Etiópia, Cabo Verde, Tunísia, Tanzânia, África do Sul e Gana. O Egito lidera de forma destacada, com 45.984 quartos em 185 projetos — o equivalente a 47% de todo o pipeline africano. Marrocos ocupa o segundo lugar com 10.606 quartos, seguido da Nigéria com 8.480, do Quénia com 6.190 e da Etiópia com 5.964.
Cabo Verde, com os seus 4.328 quartos, surge imediatamente a seguir, numa posição notável para uma pequena economia insular.
O que torna Cabo Verde especial neste ranking
Cabo Verde destaca-se pelo elevado número médio de quartos por estabelecimento — 255 por propriedade —, o que reflete o modelo de desenvolvimento em formato de grande resort, típico do arquipélago.
Fonte: W Hospitality Group — Hotel Chain Development Pipelines in Africa 2026
Ambição elevada, execução ainda lenta
Apesar do posicionamento favorável, o relatório lança um aviso importante. Cabo Verde apresenta uma lacuna significativa: apenas 8,6% dos quartos em pipeline estão efetivamente em fase de construção, o que sugere que a grande maioria do programa de desenvolvimento hoteleiro do arquipélago permanece, por ora, apenas no papel.
O relatório do W Hospitality Group nota especificamente que Cabo Verde se distingue por ter uma percentagem muito baixa de projetos em construção, o que reflete um aumento da atividade de planeamento, bem como a presença de novos investidores focados exclusivamente no mercado cabo-verdiano.
Isto contrasta radicalmente com mercados como a Etiópia e o Quénia, onde quase 80% dos quartos em pipeline já se encontram em fase de construção, seguidos pela Tanzânia com 77,5%.
Grandes operadores dominam o continente
Ao nível dos operadores, o desenvolvimento hoteleiro em África permanece fortemente concentrado em grandes marcas globais. A Marriott International lidera com 31.782 quartos, seguida pela Hilton e pela Accor. Em conjunto, os cinco maiores grupos — incluindo a IHG Hotels & Resorts e o Radisson Hotel Group — representam cerca de 80% de todos os hotéis e quartos em pipeline em África.
Uma oportunidade que não pode ser desperdiçada
Trevor Ward, diretor-geral do W Hospitality Group, sublinha que o crescimento hoteleiro africano é protagonizado por um grupo restrito de mercados de alto desempenho. Para Cabo Verde, a mensagem é clara: o interesse dos investidores existe e os projetos estão sinalizados, mas o ritmo de concretização precisa de acelerar. O arquipélago tem uma janela de oportunidade que outros destinos concorrentes estão a aproveitar com maior celeridade.
Recordamos que Cabo Verde figura em 6.º lugar no ranking africano com 17 hotéis e 4.328 quartos planeados no relatório de março de 2026. Apesar do forte interesse dos investidores e do modelo focado em grandes resorts (média de 255 quartos), o país enfrenta o desafio de acelerar as obras, já que apenas 8,6% dos projetos saíram efetivamente do papel.
Caboverde24.info
Fonte: W Hospitality Group — Hotel Chain Development Pipelines in Africa 2026 (março de 2026)





































