“Um problema técnico no Sal paralisa as ligações inter-ilhas: a fragilidade de operar com apenas dois aviões expõe os limites da atual gestão”
A mobilidade aérea interna em Cabo Verde enfrenta um teste severo neste início de época festiva. Recorde-se que a TACV (Cabo Verde Airlines) apostou recentemente na frota ATR para garantir a continuidade territorial entre as ilhas. No entanto, a disponibilidade limitada de aeronaves torna a rede extremamente frágil: como já verificado anteriormente, a avaria de uma única unidade gera um efeito dominó capaz de isolar aeroportos por horas, colocando em risco os planos de viagem de residentes e turistas.
O que deveria ser o sábado de grandes regressos para as festividades natalícias transformou-se numa jornada de profunda incerteza. Desde o início da tarde de hoje, 20 de dezembro, os principais aeroportos do país registaram uma sequência crítica de cancelamentos que atingiu o coração das ligações domésticas.
O mapa do desânimo nos aeroportos
As imagens dos painéis eletrónicos confirmam uma situação sem precedentes para esta época do ano:
- Aeroporto Cesária Évora (São Vicente): Foram cancelados os voos de chegada VR4024 e VR4022 (da Praia) e o VR4122 (do Sal). Nas partidas, não operaram os voos VR4201, VR4204 para a Praia e o VR4212 para o Sal.
- Aeroporto Nelson Mandela (Praia): Estão cancelados os voos de chegada VR4201 e VR4204 de São Vicente, além da ligação VR4502 proveniente do Fogo.
- Aeroporto Amílcar Cabral (Sal): Foram cancelados o voo VR4212 à chegada e o VR4122 com destino a Mindelo.
O nó estrutural: dois aviões não garantem continuidade
A origem do bloqueio de hoje reside numa avaria técnica que forçou a imobilização de um ATR precisamente na placa do Sal. Esta emergência traz à tona um problema de fundo há muito discutido: com apenas dois aparelhos dedicados aos voos inter-ilhas, é tecnicamente impossível garantir um serviço continuativo e fiável. Este facto, que está em evidência há muito tempo, demonstra que a aviação é um setor que não permite improvisos. Trata-se de um negócio que deve ser gerido por grandes especialistas, preferencialmente com experiência internacional consolidada, capazes de assegurar a redundância de meios necessária. Sem essa gestão especializada, o direito à mobilidade dos cabo-verdianos fica refém de qualquer contratempo mecânico.
Tentativa de recuperação e silêncio informativo
Para tentar conter a emergência e transportar os passageiros retidos, a TACV estará a utilizar um dos seus Boeing 737. Contudo, apesar da maior capacidade de passageiros, a logística em rotas curtas e os tempos de operação não permitem compensar a agilidade dos ATR, mantendo centenas de pessoas num impasse.
Apesar da gravidade da situação, até às 20h30 não houve qualquer comunicado oficial da Cabo Verde Airlines. A página de Facebook da companhia manteve apenas conteúdos comerciais, ignorando o drama nos aeroportos. Da mesma forma, os órgãos de comunicação social nacionais ainda não avançaram com explicações, deixando os passageiros sem qualquer apoio ou informação num momento tão sensível como o Natal.
Caboverde24.info
Fonte: Site Vinci Cabo Verde



































