28-year-old woman reports sexual harassment and abuse of power in the workplace in Cape Verde

“Uma análise sobre a denúncia de comportamentos abusivos e a defesa da competência intelectual em detrimento da troca de favores”

Um artigo de opinião publicado recentemente abalou as estruturas do debate público em Cabo Verde ao expor, sem filtros, uma realidade sombria que muitos conhecem, mas poucos ousam verbalizar. O texto, assinado por Lua Pires, denuncia a existência de um sistema predatório nas instituições de decisão, onde a ascensão profissional de jovens mulheres é frequentemente condicionada à disponibilidade sexual, numa dinâmica descrita pela autora como “prostituição” institucionalizada.

​O relato não poupa nos detalhes nem na dureza das palavras, descrevendo um ambiente onde homens com poder económico e estatuto social atuam como “cafetões”, transformando o espaço público num mercado de

Quem é Lua Pires?

​Para compreender a origem desta denúncia, é fundamental olhar para a sua autora. Lua Pires é uma jovem de 28 anos, licenciada na área de Relações Internacionais e com um percurso marcado pelo interesse na vida pública e associativa desde os 21 anos.

​No seu manifesto, Pires descreve-se como alguém que foi educada para valorizar o intelecto acima de tudo. Atribui ao seu pai a base moral que lhe permitiu resistir às investidas do sistema, encarando o cérebro como o seu “maior trunfo”. A sua postura no texto é a de quem rejeita o papel de vítima passiva, optando por usar a sua voz para confrontar figuras de autoridade que, segundo ela, traem a confiança pública.

O artigo

Quem é Lua Pires?

​Para compreender a origem desta denúncia, é fundamental olhar para a sua autora. Lua Pires é uma jovem de 28 anos, licenciada na área de Relações Internacionais e com um percurso marcado pelo interesse na vida pública e associativa desde os 21 anos.

​No seu manifesto, Pires descreve-se como alguém que foi educada para valorizar o intelecto acima de tudo. Atribui ao seu pai a base moral que lhe permitiu resistir às investidas do sistema, encarando o cérebro como o seu “maior trunfo”. A sua postura no texto é a de quem rejeita o papel de vítima passiva, optando por usar a sua voz para confrontar figuras de autoridade que, segundo ela, traem a confiança pública.

​A crueza dos factos: “carne fresca” e predadores institucionais

​A parte mais impactante do artigo reside na descrição crua das situações vividas. A autora relata que, ao entrar nos círculos de poder, foi imediatamente vista como “carne fresca”. Não se trata apenas de galanteios inoportunos, mas de assédio sexual violento e propostas explícitas de troca de favores.

​Pires denuncia casos específicos, ainda que sem citar nomes, que ilustram a podridão moral descrita:

  • O meio académico: Relata o caso de um professor universitário com quem cortou a palavra durante um semestre inteiro após este ter “cruzado a linha”, criando um ambiente insustentável na sala de aula.
  • O ambiente parlamentar: Descreve um episódio grotesco com um Deputado Nacional que lhe passou a mão pelas costas até às nádegas, num ato de total desrespeito dentro da “casa da democracia”.
  • O uso de recursos públicos: A denúncia menciona convites para férias noutras ilhas, claramente financiadas pelo erário público (“à custa do dinheiro público”), em troca de companhia sexual.

​A autora utiliza termos fortes como “cafetões políticos” para descrever estes homens que, apesar de ocuparem cadeiras no Parlamento e tomarem decisões pelo país, reduzem a sua interação com mulheres jovens a uma “fantasia ilusória” de posse.

​A banalização da “prostituição” por cargos

​O texto levanta uma questão social profunda: a normalização da troca de sexo por emprego. Pires aponta o dedo não só aos homens, mas também às mulheres que aceitam estas regras do jogo. Segundo a autora, existem jovens que entram nas instituições com a intenção premeditada de “dar o corpo em oferta” para obterem cargos, sem qualquer mérito ou esforço intelectual.

​Esta dinâmica cria uma concorrência desleal e cruel para com as mulheres que escolhem o caminho do estudo e da competência.

O silêncio e a resistência

​A autora critica duramente o silêncio cúmplice que permeia a sociedade cabo-verdiana, afirmando que “a paz sem voz não é paz; é simplesmente medo”. Ela alerta para o perigo de vangloriar homens poderosos pelas suas conquistas amorosas, quando, na verdade, estes estão a usar a sua “aura de poder” para explorar vulnerabilidades.

​O artigo encerra com um apelo à resistência diária. Lua Pires defende que é necessário ter “frieza” e força para manter a dignidade num meio que descreve como “extremamente machista e patriarcal”, relembrando que, no final, a integridade da mente e do espírito vale mais do que qualquer cargo obtido através da perda de dignidade.

Caboverde24.info

Fonte: Artigo de opinião “Prostituição política em Cabo Verde”, da autoria de Lua Pires (20/01/2026).

Nota Editorial: O conteúdo deste artigo baseia-se integralmente nas denúncias e opiniões expressas pela autora no texto original. As expressões “cafetões”, “prostituição política” e descrições de assédio são citações diretas ou paráfrases do relato da autora e visam transmitir a fidelidade da sua denúncia, não refletindo necessariamente a opinião editorial do Caboverde24.info.

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