“Mais de 1.500 turistas britânicos exigem indemnizações após férias marcadas por doenças graves em resorts de cinco estrelas“
O processo judicial que corre no Reino Unido contra a gigante das viagens TUI entrou numa fase crítica. O foco das investigações recai sobre as condições de higiene e segurança alimentar oferecidas em hotéis de luxo na Ilha do Sal, com os advogados das vítimas a apresentarem provas de negligência sistemática que afetou centenas de famílias.
Indemnizações milionárias em julgamento
O montante de 5 milhões de libras (aproximadamente 630 mil contos cabo-verdianos) refere-se ao pedido inicial de um grupo de cerca de 300 turistas, que serve de “caso base” para um processo coletivo muito maior. No total, a firma de advogados Irwin Mitchell representa mais de 1.500 pessoas que alegam ter contraído doenças gástricas graves, como Salmonella, Shigella e E. coli, durante estadias em Cabo Verde entre 2022 e o início de 2026.
As audiências no Tribunal Superior de Londres detalham relatos preocupantes sobre o Riu Palace Santa Maria. Os queixosos descrevem cenários onde a comida era servida crua ou mantida a temperaturas inadequadas, além da presença de pragas e odores a esgoto em áreas comuns. Para os advogados, estas não foram situações isoladas, mas sim uma falha de supervisão por parte da TUI, que tem a responsabilidade legal de garantir a segurança dos pacotes turísticos que comercializa.
Contestação das autoridades de Cabo Verde
Sobre este cenário, o Ministério da Saúde de Cabo Verde emitiu uma posição oficial clara, integrando o debate público. As autoridades nacionais negam veementemente a existência de um surto epidemiológico ativo ou descontrolado nas ilhas. O Governo classifica as notícias avançadas pela média britânica como “alarmistas” e sustenta que o sistema de vigilância sanitária nacional cumpre os padrões internacionais.
Segundo a posição do Executivo, não há evidências técnicas que comprovem uma crise sanitária nos moldes descritos no processo judicial. As autoridades cabo-verdianas defendem que o país continua a ser um destino seguro e que os incidentes relatados devem ser resolvidos na esfera jurídica privada entre a operadora TUI e os seus clientes, sem que se generalize uma imagem negativa da saúde pública nacional.
Gravidade dos casos clínicos
O julgamento ganha contornos mais severos devido à inclusão de seis casos fatais de cidadãos britânicos que adoeceram após regressarem de Cabo Verde. Embora a TUI e as autoridades locais contestem a relação direta entre as estadias e os óbitos, as famílias das vítimas apresentam laudos médicos que apontam para infeções bacterianas severas adquiridas durante o período de férias
Quem é a TUI?
A TUI Group é a maior empresa de turismo e lazer do mundo, com sede na Alemanha e uma operação massiva no mercado britânico. Em Cabo Verde, a TUI é a peça fundamental da economia turística, operando voos diretos e gerindo contratos de exclusividade com os maiores resorts do país. A empresa funciona como o garante da qualidade perante o consumidor europeu, razão pela qual é o alvo direto das ações judiciais quando as expectativas de segurança e higiene não são correspondidas.
Perspetivas para o setor
O desfecho deste caso terá repercussões profundas na forma como os grandes operadores internacionais gerem os seus ativos em Cabo Verde. Uma vitória dos turistas em tribunal poderá obrigar a TUI a implementar auditorias de saúde muito mais rigorosas e frequentes, elevando o padrão de exigência para todos os prestadores de serviços na Ilha do Sal e na Boa Vista.
Va recordado
O assunto já havia dominado a atualidade na última semana com o arranque das sessões preliminares. O que marca o momento da redação deste artigo é a consolidação do valor de 5 milhões de libras como ponto de partida para as indemnizações e o contraste evidente entre as alegações de negligência apresentadas em Londres e a defesa institucional apresentada pelo Ministério da Saúde de Cabo Verde.
Caboverde24.info
Fonte: High Court of Justice (UK) / Ministério da Saúde de Cabo Verde / Travel Gossip.
Nota Editorial: As declarações sobre negligência alimentar são alegações em sede de julgamento. O Ministério da Saúde de Cabo Verde mantém que os padrões sanitários nacionais são seguros e que não há evidência de surto.







































