“Arquipélago mantém 62 pontos e destaca-se num cenário global de deterioração da integridade pública”
Cabo Verde reafirmou a sua posição de referência na boa governação ao liderar novamente o ranking da CPLP no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025. Com uma pontuação de 62 em 100 possíveis, o país distancia-se dos seus pares lusófonos e reforça o seu estatuto como uma das democracias mais transparentes do continente africano.
O desempenho no contexto da CPLP
No universo dos países de língua portuguesa, Cabo Verde ocupa o topo da lista, seguido por Portugal, que registou 56 pontos. Estes são os dois únicos membros da organização que conseguiram obter uma classificação considerada “positiva” (acima de 50 pontos). Os restantes países da comunidade apresentam desafios significativos, com pontuações que variam entre os 45 pontos de Timor-Leste e os 15 pontos da Guiné Equatorial, que fecha a lista lusófona.
A resiliência cabo-verdiana é particularmente notável num ano em que a Transparência Internacional alertou para uma tendência global de retrocesso. Pela primeira vez em mais de uma década, a média mundial do IPC desceu, situando-se agora em 42 pontos. O relatório sublinha que a grande maioria dos países analisados não consegue manter a corrupção sob controlo efetivo, tornando o exemplo de Cabo Verde ainda mais relevante.
Comparativo da CPLP – IPC 2025
Fatores de sucesso e desafios regionais
A estabilidade institucional, a transparência nos processos eleitorais e a liberdade de imprensa são frequentemente apontadas como os pilares que sustentam a performance de Cabo Verde. Enquanto muitos países enfrentam dificuldades em separar os poderes do Estado, o arquipélago tem demonstrado uma maturidade democrática que atrai confiança internacional.
Em contraste, o relatório associa a baixa pontuação de outros países da região à falta de mecanismos de fiscalização e à fragilidade do Estado de Direito. Angola, embora ainda em patamares baixos, é mencionada como um caso de progresso gradual, mas o sentimento geral na África Subsariana permanece de preocupação, especialmente no que toca à gestão de fundos públicos.
Quem é a transparência internacional?
A Transparência Internacional (TI) é uma organização não-governamental global, sediada em Berlim, fundada com o propósito de combater a corrupção e prevenir atividades criminosas ligadas a abusos de poder. O Índice de Percepção da Corrupção, publicado anualmente, é a ferramenta de medição mais respeitada do mundo, agregando dados de diversas instituições internacionais para avaliar o setor público de cada nação sob a ótica de especialistas e líderes de negócios.
Contexto recente
Va recordado que Cabo Verde tem mantido uma trajetória consistente neste ranking ao longo da última década, ocupando sistematicamente os lugares cimeiros em África. Esta estabilidade é fruto de reformas legislativas contínuas e de um forte compromisso com a digitalização da administração pública, o que reduz as oportunidades de suborno e aumenta a eficácia da fiscalização estatal.
Caboverde24.info
Fonte: Agência Lusa / Transparency International (IPC 2025).







































