“O país vai voltar ao mercado internacional de investidores com uma carteira de 20,23 milhões de dólares para transformar o setor das pescas. O maior projeto prevê converter entre 150 e 300 embarcações artesanais em semi-industriais, enquanto outros investimentos apostam na refrigeração, segurança, tecnologia e comercialização do pescado.”
Em 30 segundos
💰 Cabo Verde procura mobilizar 20,23 milhões de dólares para modernizar o setor das pescas.
🚤 Entre 150 e 300 barcos artesanais poderão ser transformados em embarcações semi-industriais.
❄️ Refrigeração a bordo, motores mais eficientes, segurança, navegação e rastreabilidade fazem parte do plano.
🌍 A carteira será apresentada a investidores internacionais no Hand-in-Hand Investment Forum 2026, promovido pela FAO em Roma.
Um plano de 20 milhões para transformar as pescas
Cabo Verde vai procurar investidores para financiar uma carteira de 20,23 milhões de dólares destinada a modernizar uma parte importante do setor nacional das pescas.
Os detalhes constam do perfil de investimento de Cabo Verde para o Hand-in-Hand Investment Forum 2026, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
A proposta está dividida em três grandes investimentos: 12,3 milhões de dólares para reconverter a pesca artesanal, 5,8 milhões para modernizar a frota semi-industrial e 2,15 milhões para melhorar a transformação e comercialização do pescado.
O perfil global publicado pela FAO indica 9.600 beneficiários diretos e cerca de 2 milhões de dólares de contribuição orçamental pública.
Até 300 barcos artesanais poderão mudar de categoria
A maior parcela do investimento está destinada à frota artesanal.
Cabo Verde possui cerca de 1.500 embarcações de pesca artesanal e, segundo os dados apresentados pela FAO, apenas cerca de 20% dispõem de equipamento básico de segurança.
O projeto pretende transformar entre 150 e 300 dessas embarcações em unidades semi-industriais.
A reconversão poderá incluir cascos reforçados, motores mais eficientes ou híbridos, equipamentos modernos de segurança e navegação, refrigeração a bordo e sistemas de pesca mais seletivos.
Está igualmente prevista formação para pescadores e cooperativas em áreas como segurança marítima, navegação, gestão financeira e práticas sustentáveis.
Só esta componente está avaliada em 12,3 milhões de dólares.
Menos pescado perdido antes de chegar ao mercado
Outro problema que o investimento procura enfrentar ocorre entre a captura e a chegada do pescado ao consumidor.
Segundo a documentação da FAO, as atuais condições de algumas embarcações podem provocar perdas de pescado que chegam a 30%.
Para modernizar a frota semi-industrial existente estão previstos 5,8 milhões de dólares.
O plano inclui porões isolados, sistemas de congelação rápida e soluções de refrigeração alimentadas por energia solar.
Também estão previstos sistemas de propulsão híbrida, melhorias nas embarcações e ferramentas digitais para monitorização e rastreabilidade do pescado.
O objetivo é conservar melhor o produto, reduzir custos e aumentar o seu valor quando chega ao mercado.
Do pescador diretamente para hotéis e compradores
A terceira componente, de 2,15 milhões de dólares, procura mudar também a forma como o pescado é vendido.
Uma das propostas é criar uma plataforma digital e uma aplicação móvel para aproximar os pescadores de conserveiras, hotéis e compradores internacionais.
O plano contempla ainda unidades para transformação do pescado, armazenamento refrigerado e transporte frigorífico.
A intenção é criar condições para produzir e comercializar produtos de maior valor, como filetes, peixe fumado e refeições preparadas.
Até os resíduos poderão ganhar valor económico. A proposta prevê o seu aproveitamento para produzir fertilizantes orgânicos e alimentação para aquacultura.
Turismo e exportação entram na estratégia
O mercado turístico cabo-verdiano aparece como um dos potenciais destinos para pescado com maior qualidade e regularidade de fornecimento.
A estratégia procura igualmente melhorar as condições para chegar aos mercados externos, com destaque para oportunidades na Europa e África Ocidental.
Para isso, conservação, cadeia de frio, rastreabilidade e cumprimento das normas internacionais tornam-se tão importantes como a própria capacidade de captura.
A carteira inclui ainda possibilidades relacionadas com gastronomia do mar e atividades ligadas ao ecoturismo.
Os 20 milhões ainda não estão garantidos
Há uma distinção importante.
Os 20,23 milhões de dólares não representam financiamento já conseguido por Cabo Verde. Correspondem ao investimento que o país pretende mobilizar junto de investidores e parceiros.
A carteira já tinha sido apresentada no âmbito do Hand-in-Hand Investment Forum de 2025 e regressa agora ao fórum de 2026 com um perfil detalhado disponibilizado pela FAO.
O encontro deste ano está previsto para 13 a 16 de outubro, em Roma, reunindo países, instituições financeiras, parceiros de desenvolvimento e potenciais investidores.
Será depois da apresentação e dos contactos com financiadores que se poderá avaliar quanto do investimento pretendido conseguiu efetivamente avançar.
Uma mudança que começa dentro dos barcos
Mais do que aumentar o número de embarcações, o plano procura alterar a forma como uma parte da pesca cabo-verdiana funciona: mais segurança no mar, frio a bordo, menor consumo de combustível, menos perdas, maior rastreabilidade e melhor acesso ao mercado.
A transformação de até 300 barcos seria a parte mais visível dessa mudança.
Mas o verdadeiro teste virá depois de Roma: saber quanto dos 20,23 milhões de dólares Cabo Verde conseguirá efetivamente mobilizar e quantos dos projetos sairão do papel.
Caboverde24.info
Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura — Hand-in-Hand Investment Forum 2026





























