“Uma plataforma internacional de monitorização detetou alterações significativas em vários indicadores de conectividade entre 21 e 24 de setembro. Os níveis já terão regressado ao normal, mas continua por esclarecer o que provocou a ocorrência.”
Em 30 segundos
🌐 Sistemas internacionais de monitorização detetaram uma degradação da conectividade à Internet de Cabo Verde durante mais de dois dias e meio.
📉 Os dados mostram quedas em diferentes indicadores de alcance, encaminhamento e tráfego da rede.
🕝 Segundo a monitorização, os indicadores regressaram aos níveis habituais por volta das 02h30 UTC desta quinta-feira, 24 de setembro.
❓ A causa da anomalia não foi publicamente identificada e os dados não significam que Cabo Verde tenha ficado sem Internet durante todo esse período.
O sinal apareceu em 21 de setembro
Uma anomalia na conectividade à Internet de Cabo Verde permaneceu visível durante mais de dois dias em sistemas internacionais de monitorização da rede.
Os dados foram divulgados pela Telecom Observer, plataforma especializada na observação de alterações e interrupções da conectividade à Internet em diferentes países.
Segundo a atualização publicada esta quinta-feira, 24 de setembro, a degradação começou no dia 21 e prolongou-se durante mais de dois dias e meio, antes de os indicadores regressarem aos níveis habituais por volta das 02h30 UTC desta quinta-feira.
Isso não significa, porém, que Cabo Verde tenha ficado dois dias sem Internet ou que todos os utilizadores tenham sido afetados.
O que foi identificado foi uma alteração mensurável em vários indicadores técnicos utilizados para observar a conectividade do país.
Quedas chegaram a 13% e 8% em dois indicadores
Entre os sinais analisados está a capacidade de alcançar diferentes blocos de endereços IPv4 associados a Cabo Verde. Este indicador apresentou uma redução de aproximadamente 13% relativamente ao seu nível máximo habitual.
A plataforma identificou também uma queda de cerca de 8% na visibilidade BGP.
O BGP é uma parte essencial do funcionamento da Internet: permite que as diferentes redes comuniquem entre si e determinem os caminhos através dos quais o tráfego deve circular.
Outros dois indicadores agregados de tráfego acompanhados pela plataforma apresentaram reduções de 89% e 75%.
Estes números exigem uma leitura cuidadosa.
Não significam que 89% ou 75% dos clientes de Internet de Cabo Verde tenham ficado sem ligação. São variações observadas em métricas técnicas específicas utilizadas para acompanhar o comportamento da rede.
Uma ocorrência que foi ficando mais longa
Outro elemento interessante é que a dimensão do episódio só se tornou evidente à medida que o tempo passou.
Em 22 de setembro, a Telecom Observer tinha identificado uma degradação iniciada no dia anterior e que, naquele momento, durava cerca de 12 horas.
Com a continuação da ocorrência, a monitorização foi atualizada. No dia seguinte, o período observado já se aproximava de um dia e meio.
A atualização de 24 de setembro mostra agora que os sinais permaneceram presentes durante mais de dois dias e meio.
O que provocou a anomalia?
Esta é a pergunta que os dados, por si só, não conseguem responder.
Segundo a informação publicada pela Telecom Observer, a causa não foi publicamente atribuída.
Não existem, portanto, elementos suficientes para relacionar a ocorrência com um determinado operador, uma avaria num cabo submarino, manutenção, problemas de energia, equipamentos ou qualquer outra causa específica.
Também seria prematuro classificar o episódio como um “apagão nacional da Internet”.
O que pode ser afirmado, com base na monitorização disponível, é que houve uma degradação prolongada e tecnicamente mensurável de diferentes indicadores relacionados com a conectividade de Cabo Verde.
Situação já aparece normalizada
Segundo a atualização mais recente, os indicadores regressaram aos níveis habituais aproximadamente às 02h30 UTC de 24 de setembro.
A anomalia, portanto, já não estaria ativa.
Permanece, contudo, uma questão de interesse público: o que aconteceu durante estes mais de dois dias?
Uma explicação das entidades responsáveis pelo setor ou dos operadores poderá permitir perceber se houve efetivamente impacto nos serviços utilizados pela população e pelas empresas, quais redes foram afetadas e qual foi a origem da alteração identificada internacionalmente.
Até lá, os dados permitem documentar a ocorrência, mas não atribuir-lhe uma causa.
Cape Verde 24.info
Fonte: Telecom Observer.



























