Veja quem está a favor e contra a suspensão da diretora da TCV

“A sociedade dividida diante de uma decisão que abalou a comunicação”

A suspensão da diretora da TCV, Dina/Bernardina Ferreira, por decisão do Conselho de Administração da Rádio Televisão de Cabo Verde (RTC) desencadeou uma onda de críticas, reações divergentes e debates acalorados entre autoridades, instituições, personalidades influentes e a sociedade civil cabo-verdiana. O episódio se tornou um catalisador para velhos e novos questionamentos sobre liberdade de imprensa, interferência política, autonomia editorial e, especialmente, sobre os limites e responsabilidades das intervenções públicas das lideranças nacionais.

Veja, a seguir, a entrevista exclusiva concedida pelo Presidente da República à TCV, na qual torna público e detalha, de maneira clara e inequívoca, o seu posicionamento diante da decisão do Conselho de Administração de suspender a diretora da televisão pública. A gravação proporciona ao público a compreensão direta dos argumentos e motivações apresentadas pelo chefe de Estado quanto ao caso que mobiliza o debate nacional.  Video TVC

Críticas transversais à intervenção Presidencial
A intervenção do Presidente da República do país foi particularmente controversa. José Maria Neves apareceu publicamente em solidariedade aos jornalistas da TCV – “PR solidariza-se com Jornalistas da TCV na sua luta em prol da liberdade de imprensa e espera que o CA da RTC arrepie caminho” –, assumindo uma posição explícita a favor da diretora suspensa, enquanto condenava sua própria administração da RTC, gerando grande polêmica nas redes sociais e círculos políticos.​

Diversas figuras salientaram a falta de oportunidade, prudência e equilíbrio institucional nesta afirmação presidencial. O artigo publicado hoje pelo O PAÍS realça a “hipocrisia” atribuída ao presidente, que é acusado de “defender agora valores democráticos e liberdade de imprensa, quando no passado tomou ou tolerou posições contrárias ao que hoje sustenta”. Ex-diretores e antigos administradores lembraram episódios passados, em que decisões semelhantes não foram condenadas por José Maria Neves, então Primeiro-ministro, tornando a sua atual postura, segundo críticos, tardia e politicamente calculada.

Leja aqui em seguida o artigo publicado pelo jornal O PAÍS, considerado alinhado ao governo, que apresenta duras críticas motivadas pela entrevista concedida pelo Presidente da República

Reações, opiniões e memória política
Rosário da Luz (ex-diretora da TCV) recordou publicamente a sua demissão em 2002, sob circunstâncias equivalentes e com aval do próprio José Maria Neves, então chefe do Governo.​

Horácio Semedo (ex-PCA da RTC) e Armindo Lélis também rememoraram episódios similares de ingerência sem oposição pública do agora presidente.

Casimiro de Pina (jurista e analista político) condenou duramente a atuação presidencial, apontando centralização de poder e falta de consciência institucional, usando termos como “ingerência indevida” e afirmando que apoiar o PR é “trair os princípios básicos da profissão jornalística”.​

Jacinto Santos (antigo Presidente da CMP) alertou para a necessidade de o Presidente ser fator de estabilidade e não incitar conflitos que devem ser resolvidos judicialmente – criticando a “amnésia seletiva” do chefe de Estado.​

Esse debate, raro por unir vozes tanto do PAICV quanto do MpD, da imprensa e de entidades independentes, expõe a fratura entre o discurso institucional e a memória coletiva dos cabo-verdianos – sociedade que, desta vez, não esqueceu e destacou as incongruências históricas.

Leia aqui  em seguida o artigo publicado pelo jornal Santiago Magazine, considerado alinhado à oposição, que destaca e valoriza a entrevista concedida pelo Presidente da República.

Jornalistas, AJOC e organizações civis
A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC) condenou a suspensão, classificando-a como “violação grave da liberdade de imprensa e autonomia editorial”, exigindo ação imediata dos órgãos reguladores e independentes. Outros jornalistas manifestaram indignação com o clima de pressão, retaliação e intimidação, apelando à reposição da legalidade institucional e respeito à Constituição, enquanto entidades como a ARC (Autoridade Reguladora da Comunicação Social) haviam em processo prévio confirmado interferências ilegítimas da RTC nos conteúdos editoriais.​​

Sociedade civil e Parlamento
Há também reações do Parlamento e de personalidades da sociedade civil, que destacaram a importância de garantir a autonomia dos órgãos de comunicação pública. A suspensão da diretora foi vista como “uma provocação à própria ARC” e um atentado à normalidade institucional e à independência da informação.

Conclusão
O desenrolar deste caso revela não só as tensões internas nas instituições públicas, mas também o papel que figuras influentes desempenham na definição dos rumos democráticos e na defesa (ou violação) de princípios constitucionais. O episódio, além de expor as diferentes leituras sobre liberdade de imprensa em Cabo Verde, recoloca no centro do debate público questões sobre coerência, responsabilidade e oportunidade das intervenções políticas – especialmente quando vindas das mais altas instâncias do Estado.

Cabo Verde24

Fontes: 
O Pais
Santiago Magazine
Video Facebook  TCV

Imagem da capa do artigo aprimorada com IA

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Uma resposta

  1. Pode-se empurrar com a barriga mas, a CENSURA é típico dos idiotas. Os defensores de ontem, são os censuradores de hoje. A conduta de muitos de ontem e de hoje, relembra o macaco mal escondido. De camaleões estamos fartos e os registos existem para desmascarar os pseudos (…).

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