Cabo Verde Airlines na mira de turistas europeus: bagagens ficam em terra por falta de capacidade do avião

“Passageiros denunciam prática recorrente em voos interilhas. Pessoal do aeroporto confirma que situação se repete há um mês”

Um caso relatado no grupo de Facebook “Visit Cape Verde“, que conta com mais de 146 mil seguidores maioritariamente europeus, está a gerar forte polémica sobre as operações da Cabo Verde Airlines nos voos domésticos. O incidente ocorreu ontem, dia 20 de novembro, num voo da Praia para São Filipe, ilha do Fogo.

O post publicado

F.S., autor da denúncia, relata que embarcou no voo CVA da Praia para o Fogo num avião ATR72-600 totalmente reservado. Quando chegaram ao destino, mais de metade dos passageiros não receberam a bagagem. “O motivo é bastante simples mas para mim chocante ao mesmo tempo: o avião não tem capacidade suficiente para carregar tantas malas para que deixem a maioria na Praia sem avisar ninguém antes“, escreve.

Segundo o passageiro, muitas pessoas ficaram apenas com a roupa que vestiam quando chegaram, e de acordo com funcionários do aeroporto, esta situação acontece com quase todos os voos desde há meses. F.S. critica duramente a falta de comunicação prévia: “Para mim é chocante que eles não informem os seus clientes dias antes do voo para que você possa colocar todos os panos importantes (como coisas de caminhada, o que a maioria das pessoas vem aqui) na sua mala de mão“.

O relato prossegue indicando que, conforme informações do pessoal do aeroporto, a bagagem desaparecida deve chegar à tarde do dia seguinte, mas “aparentemente as chances de ser este o caso são bastante baixas já que outras 70 pessoas estarão no próximo avião com malas que também não caberão no avião“.

Reações internacionais

Os comentários ao post revelam indignação generalizada. C.E. considerou a situação “absolutamente chocante” e “uma desgraça que a companhia aérea opere assim“. A.P.D. ironizou com um “Bem-vindo a Cabo Verde“, acompanhado de uma bandeira, sugerindo que este tipo de problema é comum no arquipélago.

C.J. partilhou experiência semelhante: “Quando fomos para o Sal em junho, a minha mala não chegou durante 5 dias“.

Reações ao post

Particularmente relevante é o comentário de M.M., que defende os padrões de segurança da transportadora cabo-verdiana, afirmando que “os níveis de segurança são tão rigorosos quanto os praticados na Europa“, relacionando as limitações de peso com “a insularidade e o terreno montanhoso de muitas ilhas, combinados com o vento”. Contudo, R.V. respondeu que “é uma loucura não informar os passageiros ou ter que limitar passageiros no avião. Acho que é tudo uma questão de dinheiro“.

Reações ao post

J.H.A.F. foi mais crítico: “CV Airlines são bem conhecidas pelo seu serviço medíocre. Eles fazem overbooking da maioria dos voos, cancelam voos e não trazem bagagem. O problema é que os ferries são muito piores. Bem-vindo a África!
B.L., por seu lado, comparou positivamente com outras operadoras: “Lamento muito ouvir isto. Sempre voo com TUI, Transavia ou TAP, com essas não tenho queixas”.

Prática sistemática preocupa

O aspeto mais grave da denúncia é a confirmação, por parte do pessoal do aeroporto, de que esta não é uma situação isolada mas uma prática que se vem repetindo sistematicamente durante todo o mês de novembro. Esta informação transforma o que poderia ser encarado como um incidente pontual numa falha operacional estrutural que afeta diariamente dezenas de turistas e residentes.

A situação levanta questões sobre a capacidade de planeamento operacional da Cabo Verde Airlines e, sobretudo, sobre a falta de comunicação prévia aos passageiros, que poderiam tomar medidas preventivas caso fossem avisados das limitações de carga dos voos interilhas.

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Como reagirá a AAC?

Diante desta denúncia pública, que ganhou ampla repercussão num grupo de Facebook com significativa visibilidade internacional entre o público turístico de Cabo Verde, e tendo sido confirmada como uma prática recorrente pelo próprio pessoal aeroportuário, impõe-se a seguinte questão: como pretende a Agência de Aviação Civil (AAC) reagir a uma situação que, segundo relatos de trabalhadores do aeroporto, já se tornou um hábito constante nas operações da transportadora nacional?

É provável que não haja qualquer medida concreta, uma vez que, aparentemente, a AAC nunca interveio diante dos inúmeros casos contínuos de atrasos e cancelamentos que afetam diariamente os voos domésticos. Esta ausência de reação reforça a sensação de impunidade e negligência perante os problemas operacionais que prejudicam passageiros e a imagem do setor aéreo em Cabo Verde.

Cabo Verde24

Fonte: Post Grupo Facebook “Visit Cape Verde”
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA

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