“O transplante renal é o último sonho da minha vida e concretizá-lo é uma recompensa.”
É oficial e histórico: o primeiro transplante renal realizado em solo cabo-verdiano terminou com sucesso. Numa conferência de imprensa realizada na tarde de terça-feira, 24 de março de 2026, logo após a conclusão da cirurgia no Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), o PCA do hospital, Dr. Evandro Monteiro, comunicou ao país que a intervenção foi bem-sucedida, marcando um momento de viragem para o Sistema Nacional de Saúde.
A equipa médica confirmou que o procedimento decorreu sem complicações. Neste momento, tanto a dadora como o recetor encontram-se estáveis e a recuperar da anestesia, sob vigilância rigorosa.
Um ato altruísta que abre portas à esperança
O nefrologista do HAN, Dr. Hélder Tavares, destacou que este marco histórico foi possível graças ao “ato altruísta” de uma irmã que decidiu doar um rim ao seu irmão. Segundo os dados clínicos partilhados, a situação de ambos é estável e a evoluir positivamente. Embora a dadora deva ter alta hospitalar em primeiro lugar, o recetor permanecerá sob cuidados médicos por mais tempo, conforme o protocolo padrão, mas ambos passam bem.
Este sucesso técnico representa uma luz ao fundo do túnel para os mais de 500 doentes que dependem da hemodiálise em Cabo Verde. Com este precedente vitorioso, a transplantação nacional deixa de ser uma promessa para se tornar uma solução real, oferecendo a centenas de pacientes a esperança de recuperarem a sua autonomia e qualidade de vida.
Quem é António Norton de Matos?
António Norton de Matos, o cirurgião de 77 anos que liderou a equipa técnica nesta missão, é uma figura incontornável da medicina lusófona. Pioneiro da transplantação renal no Porto em 1983, dedicou os últimos dez anos a trabalhar com as autoridades de Cabo Verde para implementar este programa.
Para Norton de Matos, este sucesso no HUAN é a “recompensa” de uma vida dedicada à causa pública. A sua liderança foi fundamental para coordenar a equipa mista, composta por especialistas portugueses da Unidade Local de Saúde de Santo António e profissionais cabo-verdianos, garantindo a transferência de conhecimento necessária para a sustentabilidade do projeto no arquipélago.
O futuro: do sonho à autonomia
O sucesso desta primeira cirurgia é o ponto de partida para um plano ambicioso. O Governo de Cabo Verde pretende realizar cerca de 20 transplantes ainda este ano, expandindo progressivamente as capacidades técnicas para outras unidades hospitalares. Mais do que uma poupança financeira nas evacuações médicas, este passo significa a soberania do país na gestão da saúde dos seus cidadãos mais vulneráveis.
Caboverde24.info
Fonte: Ministério da Saúde e Governo de Cabo Verde / Conferência de Imprensa HUAN





































