“Segundo a mais recente estatística divulgada pela Agência de Aviação Civil (AAC), entre 1 de janeiro e 17 de outubro de 2025, foram registradas 761 reclamações de passageiros contra companhias aéreas que operam nos aeroportos do país”
Principais operadores mais reclamados
- TACV Cabo Verde Airlines: 530 reclamações (aproximadamente 70% do total)
- Alba Star: 88 reclamações
- Iberojet Airlines: 61 reclamações
- TAP Portugal: 27 reclamações
- Demais companhias apresentam números muito inferiores.
Todas as reclamações
Categoria de operador
Na tabela aqui publicada, selecionamos exclusivamente a categoria que destaca os relatos de reclamações contra as companhias aéreas, uma vez que, no mesmo período analisado, os registros direcionados a outros operadores do setor aéreo foram bastante reduzidos (foram apenas 28 reclamações contra a CV Airports e 8 contra a Cabo Verde Handling).
Vale ressaltar que a companhia EasyJet, apesar dos numerosos voos ligando Cabo Verde à Europa, registou somente 5 reclamações durante o intervalo considerado. Esse dado evidencia não só a predominância dos problemas concentrados nas empresas de bandeira, mas também a relativa estabilidade operacional de algumas companhias internacionais que atuam no país.
Principais motivos de reclamação
A liderança disparada em reclamações é justificada por cancelamentos de voos (348 casos), atrasos (219), pedidos de reembolso (127), recusas de embarque (80), além de extravio de bagagens, pedidos de indenização, problemas na prestação de informações, e alterações súbitas de itinerário.
Aeroportos mais problemáticos
Os principais aeroportos afetados pelas reclamações foram o da Praia (252 casos), Sal (161), Boa Vista (119) e São Vicente (119), refletindo a centralidade destas infraestruturas para o tráfego nacional e internacional.
Abandono de passageiros e críticas persistentes
Nota-se, particularmente em relação à TACV, um aumento no número de casos relatados de abandono de passageiros após cancelamentos sucessivos e atrasos recorrentes, levando a críticas severas por parte dos clientes. Muitos viajantes, inclusive em rotas domésticas essenciais, enfrentaram longas horas — ou mesmo dias — sem alternativas ou respostas claras da companhia, agravando o clima de desconfiança e insatisfação.
Mudança da Comissão Diretiva
Recentemente, a TACV realizou alterações na sua Comissão Diretiva, processo formalmente confirmado em Assembleia Geral no dia 22 de setembro de 2025; no entanto, a nova liderança não parece ser composta por profissionais técnicos com comprovada experiência internacional — um requisito reconhecido como fundamental para o processo de reestruturação e recuperação de uma companhia que opera, há anos, sob condições de constante falência técnica.
Essa decisão aumenta as preocupações quanto à real capacidade da TACV de superar a sua crise estrutural e reconquistar a estabilidade operacional necessária para garantir a confiança dos passageiros e a sustentabilidade do setor aéreo nacional.
Falta de ação reguladora – AAC
O cenário é agravado pelo facto de, mesmo após a divulgação de dados alarmantes e denúncias graves, inclusive sobre questões de segurança levantadas por pilotos, a AAC limitar-se à comunicação dos factos sem adotar medidas sancionatórias ou corretivas efetivas contra as empresas envolvidas. Esta postura perpetua a vulnerabilidade dos consumidores e lança dúvidas sobre o real poder e compromisso do regulador frente à crise persistente do setor.
Cape Verde24
Fonte:
Artigo fundamentado no painel estatístico oficial da AAC (até 17/10/2025)
Imagem da capa do artigo aprimorada com IA







































