TACV e o novo CEO: escolha acertada ou mais um erro?

“Armindo Sousa assume a TACV num momento crítico. Diante do histórico de insucessos, esta escolha trará a transformação necessária ou repetirá os erros do passado?”

A nomeação de Armindo Sousa como Presidente do Conselho de Administração (PCA) da TACV, em Assembleia Geral realizada em 21 de outubro de 2025 , reacendeu o debate sobre o futuro da companhia aérea nacional. A empresa, símbolo histórico da aviação cabo-verdiana, vem enfrentando uma crise estrutural persistente.​
Diante do histórico das últimas gestões, multiplicam-se as dúvidas sobre a capacidade do novo CEO de quebrar o ciclo de insucessos e de finalmente trazer eficiência e estabilidade à TACV.

O perfil do novo Presidente

Uma trajetória marcada pela continuidade
Armindo Sousa tem formação em gestão empresarial e laços históricos com a aviação cabo-verdiana. Atuou como administrador financeiro durante a gestão islandesa da Icelandair (2019–2021) e permaneceu em funções estratégicas no Conselho de Administração após o retorno da companhia ao controle estatal, participando em vários processos internos até ser eleito PCA em outubro de 2025. Não há registro de saída formal nesse intervalo.​

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O desafio da repetição
A experiência de Sousa foi construída nas administrações que não conseguiram transformar o cenário crítico da TACV. Sua promoção ao cargo máximo, por mais meritória que pareça, reacende dúvidas: mudar o nome no topo basta para inverter um padrão institucional de insucesso recorrente?
Para entender a dimensão do desafio, é essencial analisar o contexto competitivo em que a TACV opera.

Contexto do mercado: competitividade internacional
A TACV disputa rotas internacionais estratégicas — como Lisboa, Paris, Brasil e Senegal — contra grandes companhias aéreas e empresas low cost que operam com gestão mais eficiente e rentabilidade elevada. Essas empresas aumentam oferta nas rotas de e para Cabo Verde por conta da alta procura turística e da diáspora – justamente onde a TACV enfrenta dificuldades crônicas para se expandir e obter lucro.

O histórico recente de gestão

Gestão Icelandair (2019–2021)
A administração islandesa prometeu um “hub atlântico”, mas esbarrou em rotas deficitárias, margens reduzidas e a forte crise da pandemia. O projeto terminou em 2021, quando o Estado reassumiu o controle da TACV.​

Sara Helena Pires (2021–2024)
Com o retorno ao controle estatal, Sara Helena Pires foi escolhida para liderar a empresa, numa tentativa de reorganização institucional, nomeada pelo então ministro Carlos Santos. Sua gestão, tal como as anteriores, enfrentou atrasos salariais, redução de frota e agravamento das dívidas operacionais.​

Pedro Barros (2024–2025)
Em 2024, Pedro Barros assumiu o comando, sendo apresentado por Olavo Correia como “gestor experiente e preparado.” (frase divulgada nesse artigo).
Contudo, ao fim de pouco mais de um ano, a empresa seguia em situação deficitáriae dependente de garantias do Estado.​

Armindo Sousa (2025)
A eleição de Sousa foi recebida com confiança pelo maior acionista privado, que destacou que a equipa gestora “tem experiência no setor e conhecimento da casa”. Diante do agravamento das dificuldades institucionais, a expectativa é que esta escolha possa trazer maior estabilidade e eficiência à companhia aérea — ainda que persista a dúvida sobre a capacidade de romper o ciclo de expectativas não concretizadas.

O ultimo relatorio de conta da TACV

Segundo os últimos dados, publicados num relatório estatal sobre o setor empresarial, a companhia evidencia uma situação financeira ainda crítica com um resultado líquido negativo de 637,6 milhões de escudos (6,1 milhões de euros) no terceiro trimestre de 2024.
Os gastos operacionais totais chegaram a 1,9 mil milhões de escudos (17,2 milhões de euros), com destaque para os custos de leasing que atingiram 575 milhões de escudos (5,2 milhões de euros), representando um peso relevante.

Em resumo, o relatório mostra que a TACV continua dependente do apoio estatal e necessita de reformas estruturais profundas para inverter a trajetória persistente de prejuízos e alcançar sustentabilidade financeira de médio prazo.

Soluções e alternativas

Frente a um histórico de sucessivas gestões que não conseguiram romper o ciclo de dificuldades financeiras e operacionais, surgem duas grandes linhas de propostas debatidas por especialistas e analistas:

Gestores internacionais e reforma de governança
Uma solução é a contratação de gestores internacionais especializados em reestruturação de companhias aéreas. Experiências globais demonstram que resultados duradouros costumam ocorrer apenas quando há independência política, contratos de desempenho e forte supervisão externa — como nos exemplos da Air Malta, TAAG e Ethiopian Airlines.

Blindagem contra influências partidárias
Outra proposta enfatiza a transformação da TACV numa empresa governada por critérios transparentes e técnicos, com supervisão de agências independentes e planos plurianuais. O objetivo é garantir profissionalismo, meritocracia e prestação de contas efetiva, rompendo com o ciclo de dependência política.

Conclusão
A escolha de Armindo Sousa para CEO reflete a encruzilhada institucional da TACV: entre a esperança em nomes históricos da casa e a necessidade de ruptura com práticas e estruturas responsáveis pelos sucessivos insucessos. O futuro da empresa só será diferente se vier acompanhado de uma mudança real de cultura de gestão — não apenas de nomes.

Cape Verde24

Fontes:
Inforpress — Assembleia Geral e contexto
Portal da Transparência de Cabo Verde — “Setor Empresarial do Estado”, 2024
Banco de Cabo Verde — “Relatórios de Governança Societária”, 2022
Newsavia/Governo de Cabo Verde — Acordo Estado-Icelandair
Wikipedia: História da Cabo Verde Airlines
AviationTag

Imagem da capa do artigo aprimorada com IA

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