“Antiga ministra e deputada durante cerca de duas décadas, recebeu o apoio do MpD e quer tornar-se a primeira mulher Presidente de Cabo Verde.”
Em 30 segundos
- 🗳️ Cabo Verde elege o próximo Presidente da República em 15 de novembro.
- 🔵 O MpD decidiu apoiar Joana Gomes Rosa, com 85% dos votos da sua Direção Nacional.
- 🟡 O PAICV ainda não anunciou oficialmente qual candidatura apoiará.
- 👩⚖️ Jurista e antiga ministra da Justiça, Joana Rosa foi deputada durante cerca de duas décadas.
- 👩💼 Se for eleita, poderá tornar-se a primeira mulher Presidente da República de Cabo Verde.
A corrida presidencial começa a ganhar forma
Cabo Verde vai às urnas no próximo 15 de novembro para escolher o Presidente da República. Se for necessária uma segunda volta, esta deverá realizar-se duas semanas depois.
A poucos meses da votação, porém, o quadro eleitoral ainda não está completamente definido.
O atual Presidente da República, José Maria Neves, ainda não anunciou oficialmente se irá candidatar-se a um segundo mandato. O PAICV também ainda não tornou público qual candidato apoiará nas presidenciais.
Foi neste cenário que surgiu uma das decisões políticas mais importantes até agora na preparação do escrutínio: o MpD decidiu apoiar Joana Gomes Rosa.
A decisão foi aprovada neste sábado, 29 de agosto, por 85% dos membros da Direção Nacional do partido. No processo interno foram também considerados os nomes de Milton Paiva e Manuel de Pina.
Nos dias anteriores à decisão, Joana Rosa já aparecia como a candidata melhor posicionada para conquistar o apoio do partido. A confirmação, portanto, não constitui propriamente uma surpresa de última hora.
Mas a sua afirmação como candidata apoiada pelo maior partido da oposição coloca agora no centro da corrida presidencial uma figura que, até há poucos meses, não ocupava necessariamente o primeiro plano das atenções em torno da disputa pelo Palácio do Platô.
Quem é, então, Joana Gomes Rosa? Da ilha do Maio à política nacional
Joana Gomes Rosa Amado nasceu em 1965, em Alcatraz, na ilha do Maio.
Fez os estudos primários na ilha e prosseguiu o ensino secundário na Cidade da Praia. Licenciou-se em Direito pela Universidade Federal Fluminense, no Brasil, seguindo-se formação em Direito Bancário e em Governação e Administração.
Advogada e consultora jurídica, construiu posteriormente uma longa carreira política e institucional.
Cerca de duas décadas no Parlamento
Foi sobretudo na Assembleia Nacional que Joana Rosa ganhou projeção nacional.
Deputada durante cerca de 20 anos, exerceu diferentes responsabilidades, particularmente nas áreas constitucional e jurídica. Foi vice-presidente e líder da bancada parlamentar do MpD e participou na Comissão Paritária para a Revisão Constitucional de 2010.
A sua trajetória passa igualmente pelo poder local. Na ilha do Maio, presidiu à Assembleia Municipal durante dois mandatos.
Em 1995, tornou-se também a primeira mulher a concorrer à presidência de uma Câmara Municipal em Cabo Verde.
Cinco anos à frente da Justiça
Outro capítulo importante do seu percurso foi a entrada no Governo.
Joana Rosa exerceu durante cerca de cinco anos o cargo de ministra da Justiça, ficando ligada a dossiers como a modernização dos serviços judiciais, sistema prisional, investigação criminal, notariado e digitalização da Justiça.
Chega, portanto, às presidenciais com experiência acumulada no poder local, no Parlamento e no Governo.
Que Presidente pretende ser?
Ao anunciar a candidatura, Joana Rosa defendeu uma Presidência com capacidade de moderação e conciliação e que contribua para o equilíbrio e o bom funcionamento das instituições.
Pretende igualmente uma Presidência próxima dos cabo-verdianos, tanto no arquipélago como na diáspora.
Mas existe uma dimensão histórica que a própria candidata assume: quer tornar-se a primeira mulher Presidente da República de Cabo Verde.
Uma eventual vitória colocaria, pela primeira vez desde a independência, uma mulher no mais alto cargo do Estado cabo-verdiano.
O apoio do MpD muda o peso da candidatura
As candidaturas presidenciais em Cabo Verde são apresentadas por cidadãos e não pelos partidos políticos. Mas, na prática, o apoio das grandes forças partidárias tem naturalmente peso político, organizativo e eleitoral.
É por isso que a decisão do MpD representa uma nova etapa para Joana Rosa.
De uma candidatura individual oriunda da área política do partido, passa a contar com o apoio formal da principal força da oposição.
Do outro lado da disputa permanece uma grande incógnita: José Maria Neves tentará um segundo mandato? E, se avançar, receberá o apoio do PAICV?
As respostas a essas perguntas poderão definir a configuração principal das presidenciais.
Por enquanto, uma coisa já está decidida: o MpD definiu o seu apoio.
E a candidata que contará com o apoio do partido nas presidenciais de novembro chama-se Joana Gomes Rosa.
Caboverde24.info
Fontes
Comissão Nacional de Eleições; Inforpress; Assembleia Nacional de Cabo Verde; Ministério da Justiça; RTC.







































